Biografia de Zezé Motta traz curiosidades sobre a sua luta e carreira

Convite lançamento Biografia - Zezé Motta, um Canto de Luta e Resistência

Com histórias e curiosidades sobre os mais de 50 anos de carreira de Zezé Motta, o escritor e ator Cacau Hygino nos brinda com uma obra única sobre uma das atrizes mais queridas e talentosas do Brasil. Zezé Motta – um canto de luta e resistência (256 páginas, R$ 39,90) imprime a marca de uma artista plural, carismática, que deixa sua assinatura artística por onde passa. Aos 74 anos, Maria José Motta, que estreou profissionalmente na histórica peça Roda Viva (1969), de Chico Buarque, e brilhou para o mundo em Xica da Silva (1976), está aí para contar e relembrar todas as suas histórias descritas brilhantemente por Cacau.

A obra é informalmente divida em três partes. Na primeira, o autor explora os primeiros tempos no Rio, a escola, o curso de teatro, a amizade com a vizinha Marieta Severo, que também viria a se tornar. Fala de um momento marcante no qual a atriz chegou a negar a cor, para, logo em seguida, mergulhar de corpo e alma no movimento negro – do qual participa ativamente até hoje. Aqui estão também os filhos e casamentos. Bastidores e curiosidades sobre as filmagens de Xica da Silva são enriquecedoras, deliciosas e emocionam. Outro ponto forte do livro é a luta da Zezé contra a ditadura militar. Sua luta não para por aí, segue buscando mais espaço para o ator negro na teledramaturgia nacional . O livro ainda traz curiosidades que muita gente não sabe. A música “Tigresa”, de Caetano Veloso, por exemplo, foi feita para ela, e não para Sônia Braga, como muitos acham.

Na segunda parte é a vez da própria atriz falar sobre os 50 anos de carreira, como encara a velhice, o sexo, o racismo, entre temas como vacilos da vida e manias. Na terceira e última parte, depoimentos de amigos, familiares e colegas de cena engrandecem o livro, entre eles os atores Lázaro Ramos, Alessandra Maestrini, Carlinhos de Jesus, Lúcia Veríssimo, Rosamaria Murtinho, Silva Pfeifer e Taís Araújo que falam de sua proximidade com a estrela e sobre a sua importância como companheira de trabalho. No caso de Taís e Lázaro Ramos, por exemplo, ela foi uma espécie de madrinha. Lázaro diz que com Zezé aprendeu a fazer um currículo e a se “vender” profissionalmente, por meio de um projeto dela de cadastro de atores negros Brasil afora, numa época em que atores negros eram mero elenco de apoio na teledramaturgia.

Quase 90 fotos ilustram as cinco décadas de trajetória profissional marcadas desde o início pela resistência e perseverança.

Para Cacau Hygino, a perseverança de Zezé, aliada ao seu talento e à maneira simples e tranquila como leva a vida, fez com que se tornasse uma das principais artistas do Brasil.

Algumas curiosidades da carreira de Zezé Motta no livro:

– Afogamento nas filmagens: Durante filmagens de Xica da Silva (1976),  em uma cena gravada num barco, houve um acidente e a atriz quase morreu vestindo uma saia armada. Foi salva por uma pessoa da equipe. O acidente passou até no Fantástico e as filmagens só foram retomadas um mês depois.

– Fazendo ninar – Quando fez a peça A Moreninha (1969), a atriz contracenou com Marília Pera, que se tornaria a sua comadre e grande amiga.

– Embranquecimento: Quando jovem, Zezé não gostava de sua cor e de seus cabelos. Por isso, passou um bom tempo usando perucas com corte chanel.

– Religião: Zezé estudou num colégio Kardecista. Mas na estreia de sua primeira peça, Roda Viva (1968) era Testemunha de Jeová por influência de sua mãe.

– Duas datas de nascimento: A artista nasceu dia 27 de junho mas seus pais só puderam registrá-la em 5 de setembro. Zezé passou a comemorar o aniversário em duas datas diferentes.

– Carreira de peso: Em 53 anos de carreira, Zezé Motta soma 14 discos, 35 novelas e mais de 40 filmes.

Sobre a autor

Cacau Hygino é ator, dramaturgo e escritor. É autor, entre diversos livros, das biografias das atrizes Nathalia Timberg e Irene Ravache. Na TV, participou das novelas da Globo “Insensato Coração”, “Cara ou Coroa”, “América” e “Caminho das Índias”, entre outras. Adaptou para o teatro a sua obra “Herivelto Como Conheci”, interpretada por Marília Pêra. É autor da comédia “Deu a Louca na Branca”, estrelada por Cacau Protásio e “Através da Iris”, homenagem à fashionista americana Iris Apfel, interpretada por Nathalia Timberg. Em 2019, atuará no filme “Lucicreide vai a Marte”, estrelado por Fabiana Karla.