Cultura

30 de Julho: Teatro Ipanema!

Zezé Motta e Sérgio Dumont Teatro Ipanema

O Teatro Ipanema e a secretaria municipal de cultura do Rio apresentam o espetáculo “Chega de Saudade”, um retrato da música brasileira, que será realizado no dia 30 de julho (terça-feira) às 20h através de dois grandes artistas da música popular brasileira. O show apresentará ao público sucessos de Vinícius de Moraes (1913-1980) e Elizeth Cardoso (1920-1990).

O ano de 1958 marcaria o início de um dos movimentos mais importantes da música brasileira, a Bossa Nova. A pedra fundamental do movimento veio com o álbum “Canção do Amor Demais”, gravado pela cantora Elizeth Cardoso. Além da faixa-título, o antológico LP contava ainda com outras canções de autoria da dupla Vinicius e Tom, como “Chega de Saudade”, canção fundamental daquele novo movimento. Já o ano de 2013 é marcado por uma série de eventos que já estão programados para a comemoração dos 100 anos de nascimento de um dos mais importantes nomes da poesia e da música brasileira: Vinícius de Moraes.

Chega de Saudade é uma canção escrita por Vinícius de Moraes (letra) e por Antônio Carlos Jobim (música), em meados dos anos 50. Foi gravada pela primeira vez em 10 de julho de 1958, na voz de Elizeth Cardoso, que a gravou com arranjos do maestro Antônio Carlos Jobim, acompanhada também pelo violão de João Gilberto. Mais tarde, esta gravação antológica ficou reconhecida como o primeiro registro fonográfico da bossa nova.

Dividido em dois atos, o espetáculo traz Sérgio Dumont cantando Vinícius de Moraes e Zezé Motta cantando Elizeth Cardoso. Os artistas virão acompanhados pelo maestro Ricardo Mac Cord.

Os traços comuns entre Zezé Motta e Elizeth Cardoso vão além de serem mulheres, cantoras, negras e brasileiras. Mergulhadas em uma espécie de underground da vida musical carioca, Zezé e Elizeth emergiram com suas artes em um país marcado pelo machismo e pelo racismo. Esse universo é também característico do vivido por grandes divas do jazz: Bessie Smith, Billie Holiday, Lenna Horn. O repertório de Zezé faz parte do disco que a cantriz lançou no ano de 2000, intitulado (Divina Saudade – uma homenagem a Elizeth Cardoso) e será composto por pérolas como “Tudo É Magnífico”, “Nossos Momentos”, “A Noite do Meu Bem”, “Consolação”, “Tristeza”, “Noites Cariocas” e “Barracão”.

Carioca nascido em 1960, Sérgio Dumont, começou cedo seu amor pela música. Uma das suas maiores paixões é o violão, instrumento que viabiliza suas inspirações melódicas que o levou a cursar o Conservatório Brasileiro de Música e a Academia de Música Lorenzo Fernandes, formando-se em harmonia tradicional e licenciando-se e especializando-se em Educação Musical. No repertório do artista músicas de sucesso como “Samba da Benção”, “A Felicidade”, “Tarde em Itapoã” e “Onde Anda Você”.

  • Show: Zezé Motta e Sérgio Dumont em Chega de Saudade
  • Local: Teatro Ipanema
  • Endereço: Rua Prudente de Moraes, 824, Ipanema.
  • Horário: 20h
  • Data: 30 de julho – (terça-feira)
  • Valor: R$ 30,00 (inteira) – R$ 15,00 (meia-entrada para idosos, estudantes e cariocas);
  • Vendas: ingresso.com e na bilheteria do teatro;
  • Informações: (21) 2267-3750. 

15.07.2013


Vitórias de um movimento!

Sou muito preocupada com justiça. Eu sempre digo que mesmo que eu não fosse negra, faria parte do movimento. Um fruto prático desse meu envolvimento visceral foi a criação do Cidan (Centro de Informação e Documentação do Artista Negro), em1984. Eu estava preocupada com a invisibilidade do ator negro. Vários dos meus colegas não estavam na mídia e resolvi criar um banco de dados. Todo ator negro que eu encontrava ou que eu tinha o telefone, eu pedia: Traz foto e currículo. Eu estava casada com Jacques d´Adesky, um pesquisador afro-belga, professor universitário, com experiência nesse tipo de levantamento, e ele me orientou a profissionalizar o banco, que começou de maneira bem improvisada. Conseguimos um patrocínio com a Fundação Ford na intenção de editar um catálogo completo, começando com Grande Otelo e indo até atores negros mais jovens, mas o orçamento estourou e a gente não pôde ir até o fim. Era muita despesa com passagem, hospedagem, diária. Imagina, a intenção era fazer um mapeamento de todo o Brasil!

É uma vitória não só minha, mas do Jacques d´Adesky, do Antônio Pitanga, da Benedita da Silva, da Léa Garcia, do Antônio Pompeo, do Luiz Antônio Pilar, da Iléa Ferraz, entre outros profissionais envolvidos direta ou indiretamente com o Cidan.

Outra batalha minha é a Socinpro. É uma sociedade ligada ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), que protege direitos conexos autorais de compositores e intérpretes. Há mais de 10 anos eu sou uma das diretoras de comunicação. Uma vez por semana dou plantão. Vou lá, tomo cafezinho com associado, bato papo, faço de psicóloga. Porque nós temos desde medalhões da MPB – Maria Bethânia, Roberto Carlos, Dudu Nobre, Martinho da Vila – até aquele compositor mais duro que vai à sociedade pegar vale para tirar o violão do penhor. Tem situações dramáticas.

Zezé Motta e Fernando Henrique Cardoso


Postal de Amor…

“Postal de Amor”, interpretei esta letra do Fagner em Ciranda Cirandinha. Esta composição, ou melhor esta “Louca” me enlouqueceu verdadeiramente, e conseguiu me arrebatar no palco.

O Daniel Filho me convidou para fazer Ciranda depois que me assistiu no show. Eu sempre soube desde pequena que eu tive uma tia que enlouqueceu por amor, e quando subo ao palco eu procuro o personagem para interpretar. Nesta ocasião eu comecei a pensar em minha tia Elza que eu nunca conheci, mas que sempre soube que ela havia morrido por amor…

Era uma loucura… Um belo dia eu encontrei o Fagner e falei:
– Fagner, você sabe que eu dedico aquela musica para a minha tia Elza, que eu nunca conheci, mas que eu sei que morreu de amor… E ai, eu estava na casa dele na varanda de frente para o morro Santa Marta, (os fundos do apartamento dele tinha vista pra lá)…

Ele muito emocionado me disse:
– Zezé, não acredito, eu fiz esta musica aqui nesta varanda olhando para o morro e pensando em uma mulher morrendo de amor…

Que loucura! Postal de Amor…

Postal de Amor – Zezé Motta em Ciranda Cirandinha

Zezé Motta

01.07.2013


Dica de hoje: Samba do Trabalhador!

Moacyr Luz

Moacyr Luz

Para começar bem a semana, um grupo de sambistas resolveu se reunir no Clube Renascença, na Tijuca (RJ), para fazer o Samba do Trabalhador, uma roda dedicada aos companheiros de labuta e aos que simplesmente querem relaxar já na segunda-feira, mesmo sem ter que enfrentar a rotina dos escritórios. A roda de samba começa às 16h30 e termina por volta de 21h. Em compensação, ao longo dessas quase cinco horas, o público pode escutar samba de qualidade comandado por Moacyr Luz e se deliciar com o bom e velho churrasquinho. Preço: R$7 (mulheres) e R$10 (homens)

Samba dos Trabalhadores

Local: Clube Renascença (Rua Barão de São Francisco, 54 – Tijuca)
Data: todas as segundas-feiras
Horário: 16h30 às 21h

24.06.2013


Não temos mais tempo para lamúrias…

A Lélia Gonzalez foi uma pessoa muito importante na minha formação. Ela era antropóloga, professora universitária, e quando eu soube que ia ter esse curso, me matriculei. Na época da Xica, eu dava média de três entrevistas por dia, e as pessoas sempre perguntavam sobre ser atriz, mulher e negra. Senti que eu precisava aprimorar o meu discurso. Nisso, a Lélia me ajudou. Lembro que na aula inaugural ela disse: Não temos mais tempo para lamúrias. Temos que arregaçar as mangas e virar esse jogo. Até então só tinha feito parte do MNU (Movimento Negro Unificado). Ia ao Clube Renascença, em Vila Isabel, para dançar soul music. Era um clube freqüentado por negros, que agora voltou a ser revitalizado. O Moacyr Luz organiza umas rodas de samba às segundas-feiras. Vive lotado.

Mesmo lá esbarrava em preconceito. Nessa época estava casada com o Marcos Palma, um arquiteto branco, e os radicais achavam que negro só podia namorar negro. Imagina, isso nunca entrou na minha cabeça. Namorei brancos e pretos não porque fossem brancos ou pretos, e sim porque eram pessoas interessantes. Imagina se Zózimo Bulbul era preto ou branco! Zózimo Bulbul era Zózimo Bulbul!

Zezé Motta

23.06.2013


Já fiz cinco filmes com Cacá – Xica da Silva, Quilombo, Dias Melhores Virão, Tieta, Orfeu – e no que depender de mim faço mais

Já fiz cinco filmes com Cacá – Xica da Silva, Quilombo, Dias Melhores Virão, Tieta, Orfeu – e no que depender de mim faço mais. Adoro trabalhar com ele. Quando ele me chamou para o Quilombo, achei que tinha enlouquecido de vez. Aquela mulher, Dandara, não podia ser feita por mim. Ela não sorria nunca, só guerreava. Eu não imaginei que fosse capaz de fazer um filme inteiro sem sorrir. Quilombo reconta um momento riquíssimo da história do Brasil, sob o ponto de vista dos vencidos. Pelos documentos oficiais de Portugal, os habitantes de Palmares eram considerados bandidos. O filme mostra que os negros sempre lutaram pela sobrevivência, não estavam acomodados à espera de um redentor. Ir para Cannes representando o filme com a equipe foi uma emoção à parte. Antônio Pompeo, Antônio Pitanga, Tony Tornado, Daniel Filho, Cacá, Lauro Escorel. O filme foi ovacionado na sessão de gala e nós saímos aos prantos da sala de projeção.

Zezé Motta e Antônio Pitanga - Quilombo

Zezé Motta em Quilombo