Cultura

Postal de Amor…

“Postal de Amor”, interpretei esta letra do Fagner em Ciranda Cirandinha. Esta composição, ou melhor esta “Louca” me enlouqueceu verdadeiramente, e conseguiu me arrebatar no palco.

O Daniel Filho me convidou para fazer Ciranda depois que me assistiu no show. Eu sempre soube desde pequena que eu tive uma tia que enlouqueceu por amor, e quando subo ao palco eu procuro o personagem para interpretar. Nesta ocasião eu comecei a pensar em minha tia Elza que eu nunca conheci, mas que sempre soube que ela havia morrido por amor…

Era uma loucura… Um belo dia eu encontrei o Fagner e falei:
– Fagner, você sabe que eu dedico aquela musica para a minha tia Elza, que eu nunca conheci, mas que eu sei que morreu de amor… E ai, eu estava na casa dele na varanda de frente para o morro Santa Marta, (os fundos do apartamento dele tinha vista pra lá)…

Ele muito emocionado me disse:
– Zezé, não acredito, eu fiz esta musica aqui nesta varanda olhando para o morro e pensando em uma mulher morrendo de amor…

Que loucura! Postal de Amor…

Postal de Amor – Zezé Motta em Ciranda Cirandinha

Zezé Motta

01.07.2013


Dica de hoje: Samba do Trabalhador!

Moacyr Luz

Moacyr Luz

Para começar bem a semana, um grupo de sambistas resolveu se reunir no Clube Renascença, na Tijuca (RJ), para fazer o Samba do Trabalhador, uma roda dedicada aos companheiros de labuta e aos que simplesmente querem relaxar já na segunda-feira, mesmo sem ter que enfrentar a rotina dos escritórios. A roda de samba começa às 16h30 e termina por volta de 21h. Em compensação, ao longo dessas quase cinco horas, o público pode escutar samba de qualidade comandado por Moacyr Luz e se deliciar com o bom e velho churrasquinho. Preço: R$7 (mulheres) e R$10 (homens)

Samba dos Trabalhadores

Local: Clube Renascença (Rua Barão de São Francisco, 54 – Tijuca)
Data: todas as segundas-feiras
Horário: 16h30 às 21h

24.06.2013


Não temos mais tempo para lamúrias…

A Lélia Gonzalez foi uma pessoa muito importante na minha formação. Ela era antropóloga, professora universitária, e quando eu soube que ia ter esse curso, me matriculei. Na época da Xica, eu dava média de três entrevistas por dia, e as pessoas sempre perguntavam sobre ser atriz, mulher e negra. Senti que eu precisava aprimorar o meu discurso. Nisso, a Lélia me ajudou. Lembro que na aula inaugural ela disse: Não temos mais tempo para lamúrias. Temos que arregaçar as mangas e virar esse jogo. Até então só tinha feito parte do MNU (Movimento Negro Unificado). Ia ao Clube Renascença, em Vila Isabel, para dançar soul music. Era um clube freqüentado por negros, que agora voltou a ser revitalizado. O Moacyr Luz organiza umas rodas de samba às segundas-feiras. Vive lotado.

Mesmo lá esbarrava em preconceito. Nessa época estava casada com o Marcos Palma, um arquiteto branco, e os radicais achavam que negro só podia namorar negro. Imagina, isso nunca entrou na minha cabeça. Namorei brancos e pretos não porque fossem brancos ou pretos, e sim porque eram pessoas interessantes. Imagina se Zózimo Bulbul era preto ou branco! Zózimo Bulbul era Zózimo Bulbul!

Zezé Motta

23.06.2013


Já fiz cinco filmes com Cacá – Xica da Silva, Quilombo, Dias Melhores Virão, Tieta, Orfeu – e no que depender de mim faço mais

Já fiz cinco filmes com Cacá – Xica da Silva, Quilombo, Dias Melhores Virão, Tieta, Orfeu – e no que depender de mim faço mais. Adoro trabalhar com ele. Quando ele me chamou para o Quilombo, achei que tinha enlouquecido de vez. Aquela mulher, Dandara, não podia ser feita por mim. Ela não sorria nunca, só guerreava. Eu não imaginei que fosse capaz de fazer um filme inteiro sem sorrir. Quilombo reconta um momento riquíssimo da história do Brasil, sob o ponto de vista dos vencidos. Pelos documentos oficiais de Portugal, os habitantes de Palmares eram considerados bandidos. O filme mostra que os negros sempre lutaram pela sobrevivência, não estavam acomodados à espera de um redentor. Ir para Cannes representando o filme com a equipe foi uma emoção à parte. Antônio Pompeo, Antônio Pitanga, Tony Tornado, Daniel Filho, Cacá, Lauro Escorel. O filme foi ovacionado na sessão de gala e nós saímos aos prantos da sala de projeção.

Zezé Motta e Antônio Pitanga - Quilombo

Zezé Motta em Quilombo


Crioula, de Moraes Moreira….

Ao Moraes eu pedi uma música para cantar e ele fez para mim o Crioula.

Não posso reclamar da vida, né?

Zezé Motta

Zezé Motta

Zezé Motta canta “Crioula” (Moraes Moreira) no Fantástico de 1977.

Quando eu penso nela
Em forma de canção
Imagino em som
Que revele que revele o tom
Que revele o tom, o tom da cor
Da sua pele

Crioula
Crioula
Crioula

 


Grande Otelo: Zezé Motta é uma expressão do povo.

A sensualidade, a ternura, ou bravura com que ela interpreta uma musica, eu acho Zezé Motta sempre autêntica. Ela com toda a sua autenticidade em toda a musica que ela interpreta e também em tudo aquilo que ela representa como atriz que é. Vocês ainda terão a oportunidade de vê-la, e vão sentir isto que eu estou dizendo. Ela é simplesmente genial. Por causa de suas criações muito próprias, talvez seja uma coisa um tanto de berço que ela traz da própria raça. Enfim, Zezé Motta é uma expressão do povo Brasileiro.

(Grande Otelo)

Grande Otelo - Zezé Motta

Grande Otelo – Zezé Motta

18.06.2013