Retratos da minha vida

Viva Ruth de Souza: 96 anos!

Zezé Motta, Ruth de Souza e Tais Araújo

16.05.2017


“Dia dos Namorados” de Cazuza, por Zezé Motta

28 de Julho de 1989 o globo, Zezé Motta

28 de Julho de 1989 o globo, Zezé Motta

No baú de Cazuza existem 78 letras inéditas. É o que revela o livro “Preciso Dizer Que Te Amo – Todas as Letras do Poeta”, lançado pela mãe do cantor, Lucinha Araújo, em 2004. Dessas, 13 teriam sido musicadas, enquanto outras 65 permanecem apenas como letras.

Desde 2015, Lucinha ensaia projeto de disco com a gravação de algumas dessas letras, com nomes, inclusive, confirmados, casos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Baby do Brasil, Bebel Gilberto, Seu Jorge, Leoni, Rogério Flausino e Wilson Sideral. Os lucros obtidos com a iniciativa serão revertidos para a Sociedade Viva Cazuza – associação presidida por Lucinha que cuida de pessoas infectadas com o vírus da aids, desde 1990, quando a doença vitimou Cazuza – mas a ideia do CD ainda não saiu do papel.

Na última quinta-feira, o jornalista Mauro Ferreira informou em seu blog que Ney Matogrosso lançaria uma dessas músicas inéditas do compositor: “Dia dos Namorados”. A previsão é que a gravação de Ney chegaria ao mercado exatamente no dia em que a data que o título faz alusão é comemorada no Brasil: 12 de junho. No entanto, a informação de que a canção seja inédita contradiz o próprio relato do livro de Lucinha, que adverte que ela já havia sido registrada pela cantora e atriz Zezé Motta.

Registro. Embora tenha recebido a voz de Zezé, “Dia dos Namorados” permanece inédita para o público. Logo após cantarolar entusiasmada o refrão da música, por telefone, do Rio, Zezé esclarece os motivos desse ineditismo. “É linda a canção. O Cazuza me deu para gravar, não me recordo a época exata, mas eu estava sem gravadora, envolvida em alguns trabalhos temáticos. Então, registrei num gravador e dei para a Lucinha Araújo. Ela é a única que tem a versão, num cassete”, revela a artista.

Zezé e Cazuza se conheceram em um aniversário da também cantora Sandra de Sá, comadre do músico. “Saí algumas vezes com ele e a Bebel Gilberto para bares da região do Leblon, mas não chegamos a ser assim tão próximos. O que havia era uma admiração de ambos. Cazuza foi um grande poeta, e é até hoje.”, elogia a cantora e atriz.

Lançamento. Zezé, que recentemente esteve em Lisboa para participar da novela “Ouro Verde”, produzida e transmitida pela TVI de Portugal, ao lado de outros artistas brasileiros, como Silvia Pfeifer e Gracindo Júnior, afirma que não tinha conhecimento da gravação que será lançada por Ney, mas relembra que a música já tinha uma melodia, feita por Perinho Santana, como reitera o livro de Lucinha. “Ouvi a música e a melodia numa fita cassete, cantada pelo Cazuza”, diz.

No blog de Mauro Ferreira, a informação é que a melodia do registro feito por Ney Matogrosso é de autoria de Roberto Frejat, o mais recorrente parceiro de Cazuza. O texto também não deixa claro se a nova gravação de Ney será adicionada à voz de Cazuza, e nem entra no mérito se fará parte do projeto encampado por Lucinha desde 2015. Ferreira encerra com as seguintes palavras: “A adição da voz de Ney ao fonograma faz sentido pelo fato de o cantor ter sido namorado de Cazuza. Eis a apaixonada letra de ‘Dia dos Namorados’, própria para virtual dueto romântico”. Instado a responder a dúvida em seu blog e via telefone, Ferreira não atendeu e nem respondeu ao questionamento.

Inéditas. O livro, que abarca todo o repertório autoral de Cazuza, revela ainda duas canções registradas. mas jamais lançadas. “Quero Ele”, parceria com Lobão feita para Rogéria e cantada por ela em espetáculo teatral, e “Problema Moral”, cantada por Paulette, um dos membros do histórico grupo de dança Dzi Croquettes.


Cuba, em 1979

Guilherme Araújo (alto à esquerda), Zezé Motta, J. Moraes, Regina, Simone, Gonzaguinha, Fredera, Paulinho Nogueira, Marieta Severo, Djavan, Walter Franco, Chico Buarque e Nelson Ayres no embarque para Cuba, em 1979.

Essa foto tem uma longa história… Estava eu em casa, o ano era 1979, havia acabado de chegar de uma gravação, e do outro lado da linha era o Chico Buarque me convidando pra ir pra Cuba, em plena ditadura, – na época não havia nenhum apoio diplomático entre Brasil e Cuba -, era proibido inclusive de irmos pra lá, etc… Enfim, na hora – sem pensar -, eu disse sim! Lá fui eu correndo arrumar malas, iríamos ficar 15 dias. O convite era para eu participar de um festival muito importante que envolvia todo tipo de arte, fui convidada para cantar. Eu, Gonzaguinha, Simone (cantora), meu amado Djavan, minha querida Marieta Severo foi com Chico… Foi um momento histórico na minha vida. E ai lá fui eu cantar. Uma lembrança que eu tenho é que eu cantava uma música pra Oxum, e era uma fase em que eu estava muito ligada as religiões de Raízes Africanas. Na hora que eu cantava pra Oxum, eu meio que ficava possuída a ponto de rolar no chão, e isso chocava muito o público, lembro que a minha saudosa amiga Violeta, quando me viu fazendo essa cena em um festival na França, ela também ficou chocada. Eu ficava muito entregue… Tem um lado de mistura da atriz com a cantora… Eu soube que o Chico ficou muito espantado também. Isso é a incorporação! Foi uma fase, assim como ter feito inúmeras novelas, séries e filmes onde vivia um personagem ligada a religiões africanas. Voltando a foto, na volta, foi uma loucura. Tivemos que pegar um avião do Fidel Castro até a Jamaica, e da Jamaica conseguimos ir pro Brasil. Eu queria voltar antes pro Brasil, estava com show, gravação e um monte compromisso pra cumprir, mas o Chico não quis deixar ninguém voltar sozinho, e pediu que voltássemos todos juntos, pois o Figueiredo estava mandando prender todo mundo. #RetratosdaMinhaVida

06.04.2017


Oxum: Encerramento à altura da temporada 1978 do Projeto Pixinguinha

Em 1978, a bossa-nova comemorava 20 anos de seu marco inicial (o lançamento de Chega de Saudade, por João Gilberto) quando um dos precursores do gênero musical foi escalado para viajar em turnê com o Projeto Pixinguinha: o brilhante pianista, cantor e compositor Johnny Alf. Ao seu lado, fui escalada no auge de um sucesso cinematográfico (interpretando a protagonista do filme Xica da Silva, 1976), completava dez anos de carreira – minha estreia foi em 1968, em Roda Viva, de Chico Buarque, com direção de José Celso Martinez Correa. Também foi em 1978 que lancei o meu 1• disco solo, com um repertório eclético que serviria de base para minhas apresentações no Pixinguinha: Trocando em Miúdos (Chico Buarque e Francis Hime), Babá Alapalá (Gil), Magrelinha e Dores de Amores (Luiz Melodia). Já Johnny Alf, que dividia comigo a interpretação de Eu e a Brisa e Ilusão à Toa, aproveitou a turnê para apresentar em primeira mão duas músicas do LP Desbunde Total, que lançaria ainda naquele ano: Anunciação e Oxum. E era justamente a homenagem ao orixá feminino dos rios e cachoeiras que abria e encerrava o espetáculo, numa escolha que não era sem motivo, como conta o jornal Província do Pará, na edição de 21 de nov de 1978: “Muito antes de iniciar o Projeto Pixinguinha, alguém disse que ele iria trabalhar com uma pessoa de Oxum. Não deu outra: Zezé é filha de Oxum.” Na mesma matéria, Johnny (também filho de Oxum) atribuía à deusa africana parte do sucesso do espetáculo que, dirigido por Arthur Laranjeira. Quanto a Zezé, a Província do Pará ressaltava que o sucesso estrondoso de Xica da Silva não lhe subiu à cabeça: “Seus gestos são os mesmos da menina simples de Campos, e sua maneira direta de dizer as coisas mostra toda a estrutura de artista e mulher madura, muito atenta e preocupada com os problemas do mundo.” Já o jornal O Povo, de Fortaleza, conta que “os momentos frenéticos do espetáculo ficam por conta de Zezé, que demonstra uma incansável doação artística, unindo sua fabulosa voz à contagiante expressão corporal”. Com excelente público (16.431 espectadores) e muitos elogios da crítica especializada, o encontro do “canário bossa-noveiro” com a “maravilha-cantante” – expressões usadas por Nelson Motta em sua coluna no jornal O Globo (out de 78) – foi um encerramento à altura da temporada 1978 do Projeto Pixinguinha.

 

01.02.2017


Zezé Motta é escalada para ‘Ouro Verde’ próxima novela da emissora TVI em Portugal

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Zezé Motta e Silvia Pfeifer foram apresentadas à imprensa portuguesa, na manhã desta sexta-feira, 21, em Lisboa. As atrizes estarão em ‘Ouro Verde’, próxima novela da emissora TVI. Como a história se passa entre Portugal e Brasil, outros atores brasileiros como Gracindo Jr., Maria Ribeiro e Úrsula Corona também estarão no elenco.

21.10.2016


Zezé Motta e Leonardo Miggiorin nos bastidores do Programa da Xuxa

Zezé Motta e Leonardo Miggiorin

03.08.2016