Retratos da minha vida

A sensualidade de Xica da Silva

por Antônio Guerreiro para a Status (2)

 

Foto de Antônio Guerreiro para a Revista Status. Na época quando me chamavam de Xica na rua, eu pensava: Meu Deus! Quando vão me reconhecer como a Zezé Motta? Depois, comecei a pensar: Quer saber? Essa mulher mudou minha vida, foi minha fada madrinha. Por que estou reclamando?.

Quando fui apontada como símbolo sexual, confesso que me senti de alma lavada. Na época, saiu numa revista que a atriz que havia passado no teste era “feia, porém exuberante”. Eu me olhava na foto e me sentia tão linda, sabe? Mas, infelizmente, é assim que a banda toca…

A sensualidade da personagem me trouxe problemas. Eu acabei entrando no imaginário masculino como uma Mulher Maravilha. Eu me sentia com a responsabilidade de ser a melhor do mundo na cama. Olha que situação!

14.07.2013


Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foi usada pelo Zorro…

Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foi
usada pelo Zorro… Z de “zaga”, algo que serve para o goleiro
não se sentir o único culpado; de “zebra”, quando você esperava
liso e veio listrado; e de “zíper”, fecho que precisa de um bom
motivo pra ser aberto; e de “zureta”, que é como fica a cabeça
da gente ao final de um dicionário inteiro. Z de Zezé…
(Pedro Bial)

 

Zezé Motta

02.07.2013


Postal de Amor…

“Postal de Amor”, interpretei esta letra do Fagner em Ciranda Cirandinha. Esta composição, ou melhor esta “Louca” me enlouqueceu verdadeiramente, e conseguiu me arrebatar no palco.

O Daniel Filho me convidou para fazer Ciranda depois que me assistiu no show. Eu sempre soube desde pequena que eu tive uma tia que enlouqueceu por amor, e quando subo ao palco eu procuro o personagem para interpretar. Nesta ocasião eu comecei a pensar em minha tia Elza que eu nunca conheci, mas que sempre soube que ela havia morrido por amor…

Era uma loucura… Um belo dia eu encontrei o Fagner e falei:
– Fagner, você sabe que eu dedico aquela musica para a minha tia Elza, que eu nunca conheci, mas que eu sei que morreu de amor… E ai, eu estava na casa dele na varanda de frente para o morro Santa Marta, (os fundos do apartamento dele tinha vista pra lá)…

Ele muito emocionado me disse:
– Zezé, não acredito, eu fiz esta musica aqui nesta varanda olhando para o morro e pensando em uma mulher morrendo de amor…

Que loucura! Postal de Amor…

Postal de Amor – Zezé Motta em Ciranda Cirandinha

Zezé Motta

01.07.2013


Forum Mulheres sem Fronteiras

Zezé Motta e Maria Helena Prill

Zezé Motta e Maria Helena Prill

O Fórum Mulheres Sem Fronteiras, que aconteceu no último dia 26, em Brasília, trouxe importantes debates sobre a questão das mulheres no Brasil e no mundo. A presidente do PMDB Mulher, deputada Fátima Pelaes, fez parte da mesa ao lado da responsável pelo evento a jornalista Maria Lúcia d’Ávila Pizzolante, da contra-almirante, Dalva Mendes, da presidente da bancada feminina na Câmara dos Deputados, Jô Moraes, da deputada federal, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), e da vice-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Lourdes Bandeira.

A fala da deputada Fátima Pelaes marcou o início do evento. “Não podemos tratar os desiguais de forma igual. Em 2012 já tivemos um aumento de 80% de mulheres candidatas, hoje, o movimento de mulheres enfrenta o desafio de ter esse número de eleitas. Devemos ficar juntas para tornar a sociedade melhor e mais fortalecida”, ressaltou a deputada. A história política de Fátima Pelaes foi lembrada e elogiada pela jornalista Maria Lúcia d’Ávila Pizzolante, que fez questão de falar sobre a admiração e respeito que tem pela deputada.

A contra-almirante, Dalva Mendes, fez um declaração breve, mas comovente. “Nossas mulheres precisam perceber o quanto elas são capazes, que sonhos podem se transformar em realidade. Acredite em nós e conseguiremos chegar lá”, disse. Dalva Mendes é a primeira mulher oficial-general das Forças Armadas do Brasil ao assumir o posto de contra-almirante em 2012.

“O lema ‘Mulheres do Mundo Uni-voz’ desse Fórum significa que ultrapassamos as fronteiras que lutamos para ter autonomia. Berhta Lutz começou a luta pela participação feminina no Congresso Nacional. Claro que essa luta tem altos e baixos, mas temos avanços, como a Secretaria de Política para as Mulheres e a Lei Maria da Penha”, destacou a vice-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Lourdes Bandeira.

Tive o prazer de ser a MC deste evento que  incluiu em sua programação uma série de palestras, como a da historiadora Maria Lídia Lyra e da socióloga Cristina Buarque. A presença de mulheres do PMDB, militantes e parlamentares, também foi marcante.

Para encerrar o evento, a cantora Ellen Oléria subiu ao palco com um repertório de músicas que faziam referência a história de luta dos negros, das mulheres e dos desfavorecidos. O estilista Álvaro O’Hara finalizou a solenidade com um desfile em que homenageou as deusas africanas.


Não temos mais tempo para lamúrias…

A Lélia Gonzalez foi uma pessoa muito importante na minha formação. Ela era antropóloga, professora universitária, e quando eu soube que ia ter esse curso, me matriculei. Na época da Xica, eu dava média de três entrevistas por dia, e as pessoas sempre perguntavam sobre ser atriz, mulher e negra. Senti que eu precisava aprimorar o meu discurso. Nisso, a Lélia me ajudou. Lembro que na aula inaugural ela disse: Não temos mais tempo para lamúrias. Temos que arregaçar as mangas e virar esse jogo. Até então só tinha feito parte do MNU (Movimento Negro Unificado). Ia ao Clube Renascença, em Vila Isabel, para dançar soul music. Era um clube freqüentado por negros, que agora voltou a ser revitalizado. O Moacyr Luz organiza umas rodas de samba às segundas-feiras. Vive lotado.

Mesmo lá esbarrava em preconceito. Nessa época estava casada com o Marcos Palma, um arquiteto branco, e os radicais achavam que negro só podia namorar negro. Imagina, isso nunca entrou na minha cabeça. Namorei brancos e pretos não porque fossem brancos ou pretos, e sim porque eram pessoas interessantes. Imagina se Zózimo Bulbul era preto ou branco! Zózimo Bulbul era Zózimo Bulbul!

Zezé Motta

23.06.2013


Já fiz cinco filmes com Cacá – Xica da Silva, Quilombo, Dias Melhores Virão, Tieta, Orfeu – e no que depender de mim faço mais

Já fiz cinco filmes com Cacá – Xica da Silva, Quilombo, Dias Melhores Virão, Tieta, Orfeu – e no que depender de mim faço mais. Adoro trabalhar com ele. Quando ele me chamou para o Quilombo, achei que tinha enlouquecido de vez. Aquela mulher, Dandara, não podia ser feita por mim. Ela não sorria nunca, só guerreava. Eu não imaginei que fosse capaz de fazer um filme inteiro sem sorrir. Quilombo reconta um momento riquíssimo da história do Brasil, sob o ponto de vista dos vencidos. Pelos documentos oficiais de Portugal, os habitantes de Palmares eram considerados bandidos. O filme mostra que os negros sempre lutaram pela sobrevivência, não estavam acomodados à espera de um redentor. Ir para Cannes representando o filme com a equipe foi uma emoção à parte. Antônio Pompeo, Antônio Pitanga, Tony Tornado, Daniel Filho, Cacá, Lauro Escorel. O filme foi ovacionado na sessão de gala e nós saímos aos prantos da sala de projeção.

Zezé Motta e Antônio Pitanga - Quilombo

Zezé Motta em Quilombo