Documentário Brasil DNA África estreia em Salvador

Zezé Motta

Investigar a origem de afrodescendentes e a importância dos africanos na construção do Brasil é o mote do documentário “Brasil DNA África”, que estreia nesta quinta-feira (2) no Espaço Itaú de Cinema, às 19h40, em Salvador. Produzido pelo Cine Group, o filme conta com gravações em cinco estados: Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco, Minas Gerais e Maranhão, sendo que, de cada um deles, uma pessoa foi escolhida para visitar seu povo de origem na África, levando a produção à Nigéria, Guiné Bissau, Angola, República de Cameroun e Moçambique.

Com 72 minutos, “Brasil DNA África” é uma coprodução da Cine Group com a Globo Filmes e GloboNews e tem estreia simultânea também no Rio de Janeiro e em São Paulo. A proposta do longa é colaborar no processo de resgate da origem de parte dos brasileiros ao contar a história desses cinco cidadãos comuns que se submetem a um teste de DNA e descobrem suas origens africanas.

Um dos cinco personagens reais do filme, Zulu Araújo, diretor da Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria da Cultura do Estado da Bahia, descobre que é descendente do povo tikar e se emociona durante sua visita à República dos Camarões. Em entrevista recente ao site da SecultBA (www.cultura.ba.gov.br), ele expôs suas impressões e conclusões sobre este encontro com sua ancestralidade. Confira aqui.

Também está no filme a consultora de moda Juliana Luna, do Rio de Janeiro, que vai à Nigéria conhecer o povo iorubá. O jornalista e poeta maranhense Raimundo Garrone, viaja à Guiné Bissau. Ele é descendente do povo Balanta. O mestre de maracatu Levi da Silva Lima, de Pernambuco, descobriu que descende dos Makua e visita Moçambique. Por fim, o músico Sérgio Pererê, de Minas Gerais, conhece a Angola e descobre que os seus ancestrais são do povo Mbundu.

Ao todo, 150 pessoas fizeram testes de DNA para descobrir suas origens. O exame identifica se a pessoa compartilha a ancestralidade de determinadas etnias africanas. Mais de 220 etnias africanas estão registradas no banco de dados do laboratório responsável pelos testes, o African Ancestry, baseado em Washington, Estados Unidos.

“O instituto trouxe uma base de dados enorme e, a partir dessa inovação tecnológica, podemos contar essa história com base científica. A prova genética de que foram muitos os povos escravizados ajuda a findar preconceitos. Pessoas com diferentes hábitos, línguas e condições financeiras foram trazidas ao Brasil. Há quem não goste de dizer que sua ancestralidade vem de homens em condições de escravos. Mostramos que, na verdade, eles foram guerreiros, que atravessaram o Oceano Atlântico, conseguiram sobreviver e criar famílias. Temos de ter orgulho da nossa ancestralidade”, diz Mônica Monteiro, CEO da Cine Group e responsável pela direção geral do documentário.

O longa-metragem busca resgatar laços interrompidos pela escravidão. Inúmeros povos foram escravizados ao longo da história da humanidade. Entre os séculos XVI e XIX, mais de 4,8 milhões de africanos foram trazidos para o Brasil como escravos. Ao todo, 51% da população brasileira se declara negra ou parda, mas a maioria desconhece sua origem.

O projeto teve início em 2013, com a seleção de participantes ligados a movimentos negros, artistas, jornalistas e formadores de opinião. Entre os que fizeram o exame de DNA, estão a atriz Zezé Motta, o sambista Martinho da Vila, a compositora Ana de Hollanda, a cantora Margareth Menezes, o ator Antonio Pitanga, o músico Naná Vasconcelos, o presidente do Olodum, João Jorge, e outros.