Mãe de Santo

Ser atriz e viver personagens requer também sensibilidade e respeito sobre quem você vai interpretar. Uma semana antes de começar a gravar as primeiras cenas como a mãe de santo Ricardina – quem lembra? -, na novela Porto dos Milagres (Globo), no ano de 2001, cumpri um ritual… Fui até um pai de santo pedir licença para interpretar a personagem. Ele me recomendou que fizesse oferendas a Oxum, meu orixá protetor, e a Iemanjá, minha protetora na novela. Lembro que cumpri à risca. Numa praia deserta no Rio, atirei flores, perfumes e champanhe ao mar e cantei uma música em homenagem a Oxum. A minha precaução foi tomada porque há quase 30 anos, quando fiz o mesmo papel na minissérie Mãe de Santo na extinta TV Manchete (1990), eu não pediu autorização e acreditem se quiser, sofri as consequências disso. Esquecia o texto e cheguei até a passar mal no estúdio. Desta vez, em Porto dos Milagres não quis correr riscos. Mesmo contando com a orientação de Téo, pai de santo contratado pela produção da novela para auxiliar os atores, eu preferi me cercar de cuidados. Queria ir à Bahia conversar com mãe Estela, minha mãe de santo. Não deu, mas fiz tudo direitinho. Fiz inúmeros papéis na TV e também no cinema representando personagens de religiões tradicionais africanas, e me orgulho disso. O meu último papel assim foi a Neném, na novela Ouro Verde, que gravei em Lisboa, Portugal, no ano de 2016/2017 e que foi transmitida lá na Europa pela TVI. A personagem tinha uma história linda, nasceu na Bahia, e se mudou para a Amazônia quando ainda era uma adolescente. Desde então, tomou conta da cozinha e da casa, mas nunca deixou de ser mãe de santo. Não é uma mulher dada a choros, aceita os momentos maus da vida como uma lição que todos temos de aprender. A novela Ouro Verde tem sido exibida no Brasil pela TV Bandeirantes.

Axé,

(Zezé Motta)

Zezé Motta na novela Ouro Verde

Na novela Ouro Verde