No FDP, Zezé Motta fala das vivências e memórias afetivas em suas origens

Zezé Motta | (Foto: César Ferreira)

A atriz e cantora Zezé Motta foi a principal das atrações desta quarta-feira, no dia de abertura do Festival Doces Palavras (FDP), num bate-papo no plenário da Câmara Municipal de Campos, onde a artista rememorou casos e episódios de suas vivências afetivas em Campos, de onde saiu com apenas dois anos para o Rio.“Saí daqui porque meu pai era músico e queria expandir seu trabalho para um grande centro, da mesma forma que minha mãe, que era costureira, saiu também em busca dessa oportunidade, de mostrar seu trabalho numa cidade grande. Mas tenho parentes por aqui, que posso revê-los sempre que venho a Campos”, relembrou.

A mesa foi composta pelo vereador Edson Batista, presidente da Câmara; o jornalista Vitor Menezes, que preside a Associação de Imprensa Campista (AIC); e o professor Hélio de Freitas Coelho, presidente da Academia Campista de Letras (ACL).

Zezé, que nasceu em Barcelos, distrito de São João da Barra, na divisa com o território campista, lembrou que existe uma confusão sobre seu município de nascimento. Tudo começou como uma entrevista de Zezé a uma revista, que rendeu uma manchete “Nasce uma estrela”, em que a artista revelava suas origens como campista.

“Na época fiz um show em Grussaí, na primeira vez que aqui retornei, quando o prefeito me cobrou que eu era sanjoanense, porque havia nascido do outro lado da linha. E tive que explicar que minha mãe, quando eu estava para nascer, correu para a casa de minha avó, que era parteira, que morava mesmo do outro lado da linha. Foi então que descobrir que a casa de minha avó ficava num local que pertencia a São João da Barra. Mas a casa da minha mãe ficava na parte de cá, do outro lado. Então, fui registrada em Campos”, contou.

Suas referências afetivas sobre Campos estão na musica “Cana caiana”, feita para ela por Maria Bethânia com Rosinha de Valença, quando a baiana disse que Zezé era o ouro negro de Campos.

“O Guilherme Araujo, à época meu empresário, achava que eu deveria ter um bom produtor para que meu disco explodisse, e me sugeriu o Perinho Albuquerque, o mesmo que produzia os discos de Bethânia. Ele me falou que Bethânia era muito ciumente, e que eu deveria falar diretamente com ela. Depois, soube ela queria mesmo falar comigo, que admirava  meu trabalho como atriz e queria me conhecer porque sabia também desse meu lado de cantora. Então, me perguntou qual a minha origem, eu disse que era de Campos, terra dos canaviais, agora também do petróleo, e eis que Bethania e a Rosinha de Valença me deram essa música, esse presente especial. A Bethânia chegou a dizer que eu era o “ouro negro de Campos, olha só… “.

O presidente da Câmara, que abriu os trabalhos no plenário do Legislativo, disse que Campos sente orgulho da atriz e cantora. “Zezé Motta é a imagem de uma campista que projeta nossa cidade nacionalmente e até no plano internacional, e nos sentimos orgulhosos da forma como você, Zezé, simboliza o talento e a arte da nossa Campos e nosso país pelo mundo afora”, disse Edson Batista.

Como presidente da ACL, Hélio Coelho, disse que o FDP veio como uma novidade para marcar a primavera campista. “Quando a primavera chegar, Campos terá a sua primavera, o Festival  Doces Palavras, o FDP, uma abreviatura com as iniciais que já revela esse espírito de transgressão e a liberação dessa cabruncada, que não são os amigos do rei, mas que precisa aparecer, mostrar seu talento e liberar sua energia criativa”, discursou.

Identidade cultural – Coelho destacou o apoio ao evento por parte da Câmara de Vereadores na parceria com a AIC e ACL. “A Câmara a e prefeitura, justiça se faça, cumpriram o que foi pactuado com essas duas instituições que representam a imprensa e as letras campistas, reforçando seu papel institucional em apoiar eventos como esses que chegam para reforçar nossa identidade cultural. Precisamos responder quem fomos, quem somos e o que queremos ser”, afirmou.

O encontro que contou com a mediação do jornalista Chico de Aguiar, teve presença e participação do público, que fez perguntas a Zezé, tirou fotos com a atriz.