#Nudez | Retratos da minha vida…

Zezé Motta

Outro aspecto da minha vida que incomodava no início, era o fato de eu ser símbolo sexual. Eles achavam que meu reconhecimento artístico não podia se dar por aí. Mas eu não investia nisso, era uma circunstância natural eu estar sempre nua no cinema.

Isso quem dizia era o Domingos de Oliveira: Zezé, mesmo quando eu te vejo vestida, tenho a sensação de que você está nua. O Nelson Motta, que é meu compadre – sou madrinha da filha dele com a Marília, a Nina Morena – diz que os diretores não pediam para eu tirar a roupa, eu que já ia tirando. Batia a claquete, eu baixava a alça do sutiã!…

A verdade é que eu sempre tive uma relação tranqüila com a nudez, apesar de ter estudado em colégio interno onde o corpo era tabu. Tanto que a primeira coisa que fiz quando saí de lá foi
tirar a roupa. Calma, eu explico. É que o apartamento que meus pais foram morar, no Leblon, era no último andar e no verão aquilo virava um forno. Quer dizer, eu ficava costurando com a minha mãe só de calcinha. Aí, quando o meu irmão estava para chegar, ela mandava eu me vestir. Eu dizia: Ué, basta ele me olhar com olhos de irmão!