O Samba Mandou Me Chamar no Espaço Furnas Cultural

Zezé Motta no Espaço Furnas Cultural

Dona de uma brilhante carreira nos palcos, cinema e televisão, Zezé Motta apresenta espetáculo dedicado ao samba

‘Zezé Motta é cantora, atriz, mãe de seis filhos, 73 anos de vida, 50 anos de carreira, 14 discos, 35 novelas e mais de 40 filmes. Impossível não se orgulhar. Não apenas pelos números, mas também por sua história de luta em favor dos negros no Brasil.

Na ativa desde 1967, Zezé Motta venceu primeiro como atriz para depois deslanchar a vocação que sempre teve maior apreço: a de ser cantora. Participou de montagens históricas  como o musical “Roda Viva”, escrito por Chico Buarque e dirigido por José Celso Martinez Correia e com o Teatro de Arena, encenou o clássico “Arena Conta Zumbi”, de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. Com o estouro internacional do filme “Xica da Silva”, de Cacá Diegues, tudo mudou. Além de consagrar-se grande atriz, virou sexy symbol e um mito para a negritude. Coroando esta fase, ela  gravou um disco há exatos 40 anos, no qual estourou diversas faixas, como “Muito prazer, Zezé”, “Pecado original”, “Magrelinha”, “Crioula”, “Rita Baiana” e “Dores de amores”, que na maioria foram feitas especialmente para ela por Rita Lee & Roberto, Luiz Melodia, Moraes Moreira e outros. Pois 40 anos depois de seu estouro inicial como cantora, sua bela voz está de volta, em no CD, “O samba mandou me chamar”, que chegou às lojas e em todas às plataformas digitais pela “Coqueiro Verde Records”.

Sua intimidade com o samba vem de longe. Em 1979, Zezé fez vibrar o país com a sua gravação de “Senhora liberdade”, de Wilson Moreira e Nei Lopes. Anos mais tarde, gravou diversos sambas-canção do repertório de Elizeth Cardoso no CD “Divina saudade”. Mas é a primeira vez que dedica um álbum inteiro ao gênero mais tradicional do país. Neste meio tempo, gravou um tributo a Jards Macalé e Luiz Melodia (o CD “Negra melodia”). Como tudo na vida vem na hora certa, o momento agora é de “O samba mandou me chamar”, seu oitavo disco solo.

O roteiro alterna jovens bambas, alguns veteranos e grandes sucessos. Duas delas, “Ficar a seu lado” (Christiano Moreno/ Flavinho Silva), bem como a ancestral “Batuque de Angola” (André Karta Markada/ Juninho Mangueira), já iniciaram uma carreia de sucesso, mas não no Brasil. Foram festejadas pelo povo português, por terem sido incluídas na trilha da novela “Ouro verde”, que Zezé estrelou ano passado na Terrinha.

Entre os destaques, uma canção inédita do craque Arlindo Cruz, “Nós dois”, (dele com Maurição), e duas regravações: uma versão em ritmo de samba soul de “Mais um na multidão”, de Erasmo Carlos, Marisa Monte e Carlinhos Brown e uma releitura para o velho sucesso de Aracy de Almeida no carnaval de 1947, “Louco”, do histórico bamba Wilson Batista, com Henrique de Almeida.

Ainda no repertório de novidades, “Poeira varrida” (Carlinhos da Ceasa/ Darcy Maravilha), “Vou te provar” (Marquinhos PQD/ André Renato) e  “A primavera se despede” (Serginho Procópio/ Ferreira Meu Bom). Uma lição de otimismo em “Na hora de partir” (Serginho Meriti/ Claudinho Guimarães), o antídoto contra o baixo astral no funkeado “Samba da amizade” (Flavio Lima) e uma ode ao ato de cantar “Missão” (do recém-falecido Lourenço): “Vou pelos palcos, da vida, vou/ Fazer o povo brilhar/ Coisa de bamba/ Vou vendo o povo aplaudir/ O show continuar/ Cantar meu samba”.

O medley que dá nome ao disco em clima de roda de samba carnavalesco, com mais novidades, “Já pode chegar” (Christiano Moreno/ Paulinho Carvalho/ Fábio Siri) e “Vem” (Ciraninho/ Leandro Fregonesi/ Rafael dos Santos), encerrando com o animado hino do Cacique de Ramos, “Caciqueando” (Noca da Portela/ Valmir/ Amauri) reunindo a velha e a nova geração de partideiros.

Zezé Motta se apresenta acompanhada por Celso Santhana direção musical e teclados, Fernando Skilo no violão , Paulinho Bonfim na bateria, Christiano Moreno na percussão e Max Junior no banjo e cavaco.

Serviço

Zezé Motta em ‘O Samba mandou me chamar’
Espaço Furnas Cultural – Rua Real Grandeza, 219, Botafogo
Dias 20 e 21 de outubro / Sáb. e Dom. 19h
Duração: 80 min. | Classificação: Livre
Entrada Franca – Ingressos distribuídos uma hora antes dos espetáculos (1 por pessoa)