Zezé Motta na Capa da Revista AnaMaria – Edição 1265 – Fevereiro 2021

Capa Zezé Motta. Revista AnaMaria

Revista: AnaMaria

Fotos: Fernanda Garcia

Beleza: Gabriel Ramos

Styling: Milton Castanheira

Produção executiva e assessoria de imprensa: Vinicius Belo

27.02.2021


Zezé Motta e Marcos Paulo na capa da Revista Amiga

25.02.2021


Arte Zezé Motta por Luiza Zaqueu (da Belas Artes)

Artes Zezé Motta. por Luiza Zaqueu

09.02.2021


Zezé Motta para Afroafeto

Zezé Motta para Afroafeto

Zezé Motta para Afroafeto

Zezé Motta para Afroafeto

Zezé Motta para Afroafeto

Zezé Motta para Afroafeto

Zezé Motta para Afroafeto

Zezé Motta para Afroafeto

Zezé Motta para Afroafeto

Zezé Motta e Jessica Ellen para Afroafeto (2)

Retratos: @afroafeto por Gabriella Maria
Beleza: @diegonardes @lucorpse

01.02.2021


“Negritude”, segundo LP de Zezé Motta, chega ao streaming

Negritude Zezé Motta. WARNER MUSIC

A voz poderosa de Zezé Motta ecoa na história da música brasileira há muito tempo desde os antigos anos setenta, quando Zezé gravou seu primeiro disco solo em que compositores do porte de Rita Lee e Moraes Moreira entregaram canções inéditas para ela gravar. Além disso, sua voz imortalizou clássicos como Trocando em Miúdos de Chico Buarque e Francis Hime e Pecado Original de Caetano Veloso que nunca mais foram as mesmas depois de sua interpretação.

De 1975 a 79, lançou três LP’s, um deles foi o “Negritude”, disco lançado pela gravadora Warner Music que trouxe na voz de Zezé canções de João de Aquino, Aldir Blanc, João Bosco, Wilson Moreira e Ney Lopes, Rosinha de Valença e Maria Bethânia, Paulo Cesar Feital, Tunai e ouros compositores.

Pela primeira vez no digital, Negritude, originalmente lançado em 1979, chega às plataformas de streaming completamente remasterizado, trazendo muito mais qualidade de áudio e clareza à voz incomparável de Zezé Motta em faixas como “Aí de Mim”, “Manhã Brasileira”, “Senhora Liberdade” e muito mais…

Desde o começo, a Warner queria que eu gravasse samba. Mas eu não queria ser rotulada de sambista. Nada contra, mas eu queria ser livre para cantar vários gêneros. E era também uma atitude política por perceber que queriam me pregar esse rótulo pelo fato de eu ser negra. Eu estava numa fase de militância mais radical e criei essa resistência. Mas para o segundo LP da minha carreira, o Negritude, realmente me convenceram de que eu estava vendendo abaixo do esperado e que seria interessante tentar o caminho sugerido por eles. Aí já era uma questão de mercado, e naquela época eu não podia botar a militante à frente da artista e topei fazer um disco de sambas. Então foi a vez da gravadora promover uma feijoada na casa do Sérgio Amaral para o pessoal do samba. Compareceram: Martinho da Vila, Monarco, Padeirinho, João Bosco, Manacéa, Wilson Moreira, Ney Lopes. Uma turma de bambas. E assim saiu o disco.” Afirmou Zezé Motta, que nos anos 80, lançou mais três trabalhos como cantora: “Dengo”, “Frágil força” e, com Paulo Moura, Djalma Correia e Jorge Degas, “Quarteto negro”. E não parou por aí. Apresentou-se, representando o Brasil, a convite do Itamaraty, em Hannover (Alemanha), no Carnegie Hall de Nova York (EUA), França, Venezuela, México, Chile, Argentina, Angola e Portugal.

Atuando com assiduidade na televisão, no cinema e nos shows, e saudada como a mais importante atriz-cantora do país, Zezé Motta durante seus mais de 50 anos de carreira, rompe barreiras e coloca no centro da cena artística nacional as múltiplas dimensões do protagonismo feminino e negro em tela. O seu imenso talento e carreira inspiram atuais e futuras gerações de mulheres que lutam por expressão, espaço e oportunidade.

Cantora, atriz, mãe de quatro filhos, ativista. Cinquenta e quatro anos de carreira. São 14 discos, 35 novelas e mais de 55 filmes. Impossível não se orgulhar. Não apenas pelos números. Mas também por sua história de luta contra o racismo. Esta é Zezé Motta.

Já cantei com gente do melhor gabarito. Só pelo Projeto Pixinguinha, fiz dois shows maravilhosos. Um, dividindo o palco com Johnny Alf, outro com Marina e Luiz Melodia. Quando Marina e eu cantávamos Mania de Você (Meu bem / você me dá / água na boca), da Rita Lee, dávamos um selinho e o público vinha abaixo. Viajamos três 66 meses pelas principais capitais do País. Em Salvador, lotamos o Teatro Castro Alves, tivemos que fazer sessão extra. Em Paris, fiz no Olympia um recital com Paulo Moura, fruto do CD Quarteto Negro – Paulo, Jorge Degas, Djalma Corrêa e eu –, gravado pela Kuarup em homenagem aos 100 anos da Abolição. Neste trabalho, tem uma canção minha em parceria com o Degas chamada Semba.” Completou Zezé.

Ouça gratuitamente Negritude, aqui: https://lnk.to/Negritude

Negritude Zezé Motta. WARNER MUSIC

22.01.2021


Intolerância religiosa

A intolerância religiosa, infelizmente, sempre esteve presente na história da humanidade. Ela foi responsável por diversas guerras e pela morte de milhares de pessoas. Um episódio violento de intolerância religiosa gerou a necessidade de se criar o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Brasil. A data de hoje, 21 de janeiro, foi instituída por lei como uma homenagem à Iyalorixá Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum, em Salvador, que morreu de infarto após ter seu terreiro invadido e ser acusada de charlatanismo.

A Umbanda, Candomblé e Religiões de matrizes africanas são as que mais sofrem intolerância. Em 54 anos de carreira fui escolhida inúmeras vezes para viver personagens fortes, mães de santo, mulheres guerreiras e com uma tremenda sabedoria. Foram papéis marcantes na minha carreira, como por exemplo a Mãe Ricardina, em Porto dos Milagres, na Globo, em 2001. Uma mãe de santo venerada e consultada pelo povo do cais. Foram mais de 7 personagens como mãe de santo que vivi seja no cinema ou na televisão.

Eu sou Oxum-Apará, filha de Oxum com Iansã. Mas a minha ligação com candomblé começou depois. A minha primeira religião foi o kardecismo por causa do colégio interno. Em casa, a minha mãe era da umbanda e meu pai, kardecista. Na minissérie Mãe de Santo, representei uma ialorixá. Foi um mergulho interno, um reaprendizado das minhas crenças. Sempre senti necessidade de estar ligada a alguma religião. Quando saí do internato, aos 12 anos, quis fazer primeira comunhão porque todas as minhas amigas estavam fazendo. Comecei a frequentar a Igreja Católica, entrei para o catecismo, mas, no meio do caminho, desisti. Me grilei com essa história de céu e inferno. Achei aquilo tão esquisito! Preferi ficar com a ideia de reencarnação do espiritismo. A diferença das religiões está na interpretação da Bíblia. Anos depois, por intermédio da Lélia Gonzalez e do curso de cultura negra, descobri o candomblé.

Era curioso porque eu morria de medo do ritual, receber santo, essas coisas, mas fez parte do curso ir a um terreiro. E achei bonito. Fiquei curiosa por se tratar de um ritual que vem da África. No presente momento, estou voltando a me interessar pelo kardecismo. Depois dessas voltas todas que eu dei, é a ideologia que bate no meu coração. Eu me identifico completamente. O kardecista não olha para o próprio umbigo 24horas por dia. Ele tem uma visão humanista e isso me interessa. Mas nunca vou conseguir ser uma coisa só. Há uns anos atrás, quando ia à Bahia, batia cabeça para a saudosa Mãe Estela, uma ialorixá que eu considerava como a minha mãe de santo. Ela era uma rainha, uma sábia. Faz um trabalho incrível no terreiro dela, tem uma creche lá dentro, auxilia as mães que trabalhavam com ela.

Eu acho que a gente tem que ter uma religião e não procurar ajuda só quando está em apuros. Um tempo atrás, eu estava meio assim. O sapato apertava, lá ia eu procurar a Mãe Estela, ou então um pai-de-santo de Madureira que eu conheço.

Encerro este texto com a frase do PE. Zezinho “Que todos nós que cremos que Deus é pai saibamos nos respeitar e nos abraçar”.

Menos intolerância, mais respeito, intolerância religiosa é crime!
Axé,
Zezé Motta.

https://www.instagram.com/p/CKUeTKAnnH8/

Zezé Motta na Novela Porto dos Milagres - Globo

21.01.2021