Senhora Liberdade!

 As atrizes Zezé Motta e Cláudia Alencar e a bailarina Ana Botafogo na mostra Casa Real na Fazenda São Luiz da Boa Sorte em Vassouras evento

Foto 1 - Jacyra Rodriguez, as atrizes Zezé Motta e Cláudia Alencar, a bailarina Ana Botafogo e Liliana Rodriguez

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Zezé Motta e Liliana Rodriguez

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Foi como viajar no tempo, especialmente para mim, que chorei ao cantar “Senhora Liberdade” – eu dediquei a interpretação a meus antepassados – na abertura da Casa Real Mostra e Decoração Século XIX, na Fazenda São Luiz da Boa Sorte, em Vassouras.

Liliana Rodriguez e Nestor Rocha, os donos da fazenda, conseguiram o que queriam: reconstruir os ambientes e os hábitos de quase 200 anos atrás. Para isso, os arquitetos convocados para reviver a época recorreram a antiquários da Região Serrana, do Rio e de São Paulo.

O evento está aberto ao público e vai até o dia 30 deste mês. É como se fosse um aula de história, com workshops, totens explicativos e até trilha sonora produzida com efeitos que remetem ao século XIX: por exemplo, ao entrar na cozinha, o visitante ouve o tagarelar das mucamas.

16.07.2013


30 de Julho: Teatro Ipanema!

Zezé Motta e Sérgio Dumont Teatro Ipanema

O Teatro Ipanema e a secretaria municipal de cultura do Rio apresentam o espetáculo “Chega de Saudade”, um retrato da música brasileira, que será realizado no dia 30 de julho (terça-feira) às 20h através de dois grandes artistas da música popular brasileira. O show apresentará ao público sucessos de Vinícius de Moraes (1913-1980) e Elizeth Cardoso (1920-1990).

O ano de 1958 marcaria o início de um dos movimentos mais importantes da música brasileira, a Bossa Nova. A pedra fundamental do movimento veio com o álbum “Canção do Amor Demais”, gravado pela cantora Elizeth Cardoso. Além da faixa-título, o antológico LP contava ainda com outras canções de autoria da dupla Vinicius e Tom, como “Chega de Saudade”, canção fundamental daquele novo movimento. Já o ano de 2013 é marcado por uma série de eventos que já estão programados para a comemoração dos 100 anos de nascimento de um dos mais importantes nomes da poesia e da música brasileira: Vinícius de Moraes.

Chega de Saudade é uma canção escrita por Vinícius de Moraes (letra) e por Antônio Carlos Jobim (música), em meados dos anos 50. Foi gravada pela primeira vez em 10 de julho de 1958, na voz de Elizeth Cardoso, que a gravou com arranjos do maestro Antônio Carlos Jobim, acompanhada também pelo violão de João Gilberto. Mais tarde, esta gravação antológica ficou reconhecida como o primeiro registro fonográfico da bossa nova.

Dividido em dois atos, o espetáculo traz Sérgio Dumont cantando Vinícius de Moraes e Zezé Motta cantando Elizeth Cardoso. Os artistas virão acompanhados pelo maestro Ricardo Mac Cord.

Os traços comuns entre Zezé Motta e Elizeth Cardoso vão além de serem mulheres, cantoras, negras e brasileiras. Mergulhadas em uma espécie de underground da vida musical carioca, Zezé e Elizeth emergiram com suas artes em um país marcado pelo machismo e pelo racismo. Esse universo é também característico do vivido por grandes divas do jazz: Bessie Smith, Billie Holiday, Lenna Horn. O repertório de Zezé faz parte do disco que a cantriz lançou no ano de 2000, intitulado (Divina Saudade – uma homenagem a Elizeth Cardoso) e será composto por pérolas como “Tudo É Magnífico”, “Nossos Momentos”, “A Noite do Meu Bem”, “Consolação”, “Tristeza”, “Noites Cariocas” e “Barracão”.

Carioca nascido em 1960, Sérgio Dumont, começou cedo seu amor pela música. Uma das suas maiores paixões é o violão, instrumento que viabiliza suas inspirações melódicas que o levou a cursar o Conservatório Brasileiro de Música e a Academia de Música Lorenzo Fernandes, formando-se em harmonia tradicional e licenciando-se e especializando-se em Educação Musical. No repertório do artista músicas de sucesso como “Samba da Benção”, “A Felicidade”, “Tarde em Itapoã” e “Onde Anda Você”.

  • Show: Zezé Motta e Sérgio Dumont em Chega de Saudade
  • Local: Teatro Ipanema
  • Endereço: Rua Prudente de Moraes, 824, Ipanema.
  • Horário: 20h
  • Data: 30 de julho – (terça-feira)
  • Valor: R$ 30,00 (inteira) – R$ 15,00 (meia-entrada para idosos, estudantes e cariocas);
  • Vendas: ingresso.com e na bilheteria do teatro;
  • Informações: (21) 2267-3750. 

15.07.2013


Vitórias de um movimento!

Sou muito preocupada com justiça. Eu sempre digo que mesmo que eu não fosse negra, faria parte do movimento. Um fruto prático desse meu envolvimento visceral foi a criação do Cidan (Centro de Informação e Documentação do Artista Negro), em1984. Eu estava preocupada com a invisibilidade do ator negro. Vários dos meus colegas não estavam na mídia e resolvi criar um banco de dados. Todo ator negro que eu encontrava ou que eu tinha o telefone, eu pedia: Traz foto e currículo. Eu estava casada com Jacques d´Adesky, um pesquisador afro-belga, professor universitário, com experiência nesse tipo de levantamento, e ele me orientou a profissionalizar o banco, que começou de maneira bem improvisada. Conseguimos um patrocínio com a Fundação Ford na intenção de editar um catálogo completo, começando com Grande Otelo e indo até atores negros mais jovens, mas o orçamento estourou e a gente não pôde ir até o fim. Era muita despesa com passagem, hospedagem, diária. Imagina, a intenção era fazer um mapeamento de todo o Brasil!

É uma vitória não só minha, mas do Jacques d´Adesky, do Antônio Pitanga, da Benedita da Silva, da Léa Garcia, do Antônio Pompeo, do Luiz Antônio Pilar, da Iléa Ferraz, entre outros profissionais envolvidos direta ou indiretamente com o Cidan.

Outra batalha minha é a Socinpro. É uma sociedade ligada ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), que protege direitos conexos autorais de compositores e intérpretes. Há mais de 10 anos eu sou uma das diretoras de comunicação. Uma vez por semana dou plantão. Vou lá, tomo cafezinho com associado, bato papo, faço de psicóloga. Porque nós temos desde medalhões da MPB – Maria Bethânia, Roberto Carlos, Dudu Nobre, Martinho da Vila – até aquele compositor mais duro que vai à sociedade pegar vale para tirar o violão do penhor. Tem situações dramáticas.

Zezé Motta e Fernando Henrique Cardoso

15.07.2013


Black is Beautiful

Em 1969, viajei aos Estados Unidos com o grupo do Augusto Boal para encenar Arena Conta Bolívar e Arena Conta Zumbi. Ficamos três meses na estrada. Fomos também ao México e ao Peru. Eu tinha comprado uma peruca lisa chanel e representava com ela. Quando nos apresentamos no Harlem, um grupo de militantes negros ficou chocado com o fato de eu usar peruca. Era o auge do black is beautiful, e a gente tinha que manter as características originais da raça. O Boal ainda me defendeu, disse que eu era engajada e tudo o mais.

Nesse dia, voltei para o hotel, tomei um banho demorado e deixei meu cabelo voltar ao natural. É que, além da peruca, eu fazia alisamento com pente quente. Ali eu comecei a me aceitar como negra. Saía nas ruas do Harlem e reparava que os negros americanos andavam de cabeça erguida. Não tinha essa postura subserviente que eu sentia no Brasil e em mim mesma. Essa viagem teve essa importância de fazer com que eu enxergasse meu país de fora.

No grupo de atores estavam o Lima Duarte, a Isabel Ribeiro, o Hélio Ary, o Renato Consorte, o Fernando Peixoto e eu. A gente se apresentava em espaços alternativos, universidades, centros acadêmicos. As críticas eram as melhores possíveis. O New York Times rasgou elogios à minha voz e à minha atuação. Aproveitei para visitar Carmem Costa em New Jersey e dei uma canja no seu show. Cheguei a receber proposta para ficar lá cantando, mas recusei. Preferi voltar ao Brasil. E cheguei pensando: Agora ninguém me segura!

Zezé Motta Arena Conta Bolívar e Arena Conta Zumbi

15.07.2013


A sensualidade de Xica da Silva

por Antônio Guerreiro para a Status (2)

 

Foto de Antônio Guerreiro para a Revista Status. Na época quando me chamavam de Xica na rua, eu pensava: Meu Deus! Quando vão me reconhecer como a Zezé Motta? Depois, comecei a pensar: Quer saber? Essa mulher mudou minha vida, foi minha fada madrinha. Por que estou reclamando?.

Quando fui apontada como símbolo sexual, confesso que me senti de alma lavada. Na época, saiu numa revista que a atriz que havia passado no teste era “feia, porém exuberante”. Eu me olhava na foto e me sentia tão linda, sabe? Mas, infelizmente, é assim que a banda toca…

A sensualidade da personagem me trouxe problemas. Eu acabei entrando no imaginário masculino como uma Mulher Maravilha. Eu me sentia com a responsabilidade de ser a melhor do mundo na cama. Olha que situação!

14.07.2013


Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foi usada pelo Zorro…

Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foi
usada pelo Zorro… Z de “zaga”, algo que serve para o goleiro
não se sentir o único culpado; de “zebra”, quando você esperava
liso e veio listrado; e de “zíper”, fecho que precisa de um bom
motivo pra ser aberto; e de “zureta”, que é como fica a cabeça
da gente ao final de um dicionário inteiro. Z de Zezé…
(Pedro Bial)

 

Zezé Motta

02.07.2013