Forum Mulheres sem Fronteiras

Zezé Motta e Maria Helena Prill

Zezé Motta e Maria Helena Prill

O Fórum Mulheres Sem Fronteiras, que aconteceu no último dia 26, em Brasília, trouxe importantes debates sobre a questão das mulheres no Brasil e no mundo. A presidente do PMDB Mulher, deputada Fátima Pelaes, fez parte da mesa ao lado da responsável pelo evento a jornalista Maria Lúcia d’Ávila Pizzolante, da contra-almirante, Dalva Mendes, da presidente da bancada feminina na Câmara dos Deputados, Jô Moraes, da deputada federal, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), e da vice-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Lourdes Bandeira.

A fala da deputada Fátima Pelaes marcou o início do evento. “Não podemos tratar os desiguais de forma igual. Em 2012 já tivemos um aumento de 80% de mulheres candidatas, hoje, o movimento de mulheres enfrenta o desafio de ter esse número de eleitas. Devemos ficar juntas para tornar a sociedade melhor e mais fortalecida”, ressaltou a deputada. A história política de Fátima Pelaes foi lembrada e elogiada pela jornalista Maria Lúcia d’Ávila Pizzolante, que fez questão de falar sobre a admiração e respeito que tem pela deputada.

A contra-almirante, Dalva Mendes, fez um declaração breve, mas comovente. “Nossas mulheres precisam perceber o quanto elas são capazes, que sonhos podem se transformar em realidade. Acredite em nós e conseguiremos chegar lá”, disse. Dalva Mendes é a primeira mulher oficial-general das Forças Armadas do Brasil ao assumir o posto de contra-almirante em 2012.

“O lema ‘Mulheres do Mundo Uni-voz’ desse Fórum significa que ultrapassamos as fronteiras que lutamos para ter autonomia. Berhta Lutz começou a luta pela participação feminina no Congresso Nacional. Claro que essa luta tem altos e baixos, mas temos avanços, como a Secretaria de Política para as Mulheres e a Lei Maria da Penha”, destacou a vice-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Lourdes Bandeira.

Tive o prazer de ser a MC deste evento que  incluiu em sua programação uma série de palestras, como a da historiadora Maria Lídia Lyra e da socióloga Cristina Buarque. A presença de mulheres do PMDB, militantes e parlamentares, também foi marcante.

Para encerrar o evento, a cantora Ellen Oléria subiu ao palco com um repertório de músicas que faziam referência a história de luta dos negros, das mulheres e dos desfavorecidos. O estilista Álvaro O’Hara finalizou a solenidade com um desfile em que homenageou as deusas africanas.

01.07.2013


Dica de hoje: Samba do Trabalhador!

Moacyr Luz

Moacyr Luz

Para começar bem a semana, um grupo de sambistas resolveu se reunir no Clube Renascença, na Tijuca (RJ), para fazer o Samba do Trabalhador, uma roda dedicada aos companheiros de labuta e aos que simplesmente querem relaxar já na segunda-feira, mesmo sem ter que enfrentar a rotina dos escritórios. A roda de samba começa às 16h30 e termina por volta de 21h. Em compensação, ao longo dessas quase cinco horas, o público pode escutar samba de qualidade comandado por Moacyr Luz e se deliciar com o bom e velho churrasquinho. Preço: R$7 (mulheres) e R$10 (homens)

Samba dos Trabalhadores

Local: Clube Renascença (Rua Barão de São Francisco, 54 – Tijuca)
Data: todas as segundas-feiras
Horário: 16h30 às 21h

24.06.2013


Não temos mais tempo para lamúrias…

A Lélia Gonzalez foi uma pessoa muito importante na minha formação. Ela era antropóloga, professora universitária, e quando eu soube que ia ter esse curso, me matriculei. Na época da Xica, eu dava média de três entrevistas por dia, e as pessoas sempre perguntavam sobre ser atriz, mulher e negra. Senti que eu precisava aprimorar o meu discurso. Nisso, a Lélia me ajudou. Lembro que na aula inaugural ela disse: Não temos mais tempo para lamúrias. Temos que arregaçar as mangas e virar esse jogo. Até então só tinha feito parte do MNU (Movimento Negro Unificado). Ia ao Clube Renascença, em Vila Isabel, para dançar soul music. Era um clube freqüentado por negros, que agora voltou a ser revitalizado. O Moacyr Luz organiza umas rodas de samba às segundas-feiras. Vive lotado.

Mesmo lá esbarrava em preconceito. Nessa época estava casada com o Marcos Palma, um arquiteto branco, e os radicais achavam que negro só podia namorar negro. Imagina, isso nunca entrou na minha cabeça. Namorei brancos e pretos não porque fossem brancos ou pretos, e sim porque eram pessoas interessantes. Imagina se Zózimo Bulbul era preto ou branco! Zózimo Bulbul era Zózimo Bulbul!

Zezé Motta

23.06.2013


Já fiz cinco filmes com Cacá – Xica da Silva, Quilombo, Dias Melhores Virão, Tieta, Orfeu – e no que depender de mim faço mais

Já fiz cinco filmes com Cacá – Xica da Silva, Quilombo, Dias Melhores Virão, Tieta, Orfeu – e no que depender de mim faço mais. Adoro trabalhar com ele. Quando ele me chamou para o Quilombo, achei que tinha enlouquecido de vez. Aquela mulher, Dandara, não podia ser feita por mim. Ela não sorria nunca, só guerreava. Eu não imaginei que fosse capaz de fazer um filme inteiro sem sorrir. Quilombo reconta um momento riquíssimo da história do Brasil, sob o ponto de vista dos vencidos. Pelos documentos oficiais de Portugal, os habitantes de Palmares eram considerados bandidos. O filme mostra que os negros sempre lutaram pela sobrevivência, não estavam acomodados à espera de um redentor. Ir para Cannes representando o filme com a equipe foi uma emoção à parte. Antônio Pompeo, Antônio Pitanga, Tony Tornado, Daniel Filho, Cacá, Lauro Escorel. O filme foi ovacionado na sessão de gala e nós saímos aos prantos da sala de projeção.

Zezé Motta e Antônio Pitanga - Quilombo

Zezé Motta em Quilombo

23.06.2013


Eu estava numa fase de militância mais radical

Antes mesmo do meu primeiro LP ficar pronto em 1978, fiz um show no Museu de Arte Moderna, do Rio de Janeiro, que depois seguiu carreira no Teatro Ipanema, com ótima repercussão de público e crítica. Serviu para mostrar que eu tinha talento como cantora e que não estava querendo pegar carona no sucesso do Xica da Silva para me promover. Dividi o palco com o Mar Revolto, um grupo que o Guilherme Araújo conhecia da Bahia e trouxe ao Rio para trabalhar comigo. As gravadoras ficaram de olho e nós fechamos com a Warner. Fiquei lá quatro anos e gravei três LPs. Desde o começo, a Warner queria que eu gravasse samba. Mas eu não queria ser rotulada de sambista. Nada contra, mas eu queria ser livre para cantar vários gêneros. E era também uma atitude política por perceber que queriam me pregar esse rótulo pelo fato de eu ser negra.

Eu estava numa fase de militância mais radical Eu estava numa fase de militância mais radical e criei essa resistência. Mas para o segundo LP, que foi o Negritude, realmente me convenceram de que eu estava vendendo abaixo do esperado e que seria interessante tentar o caminho sugerido por eles. Aí já era uma questão de mercado, eu não podia botar a militante à frente da artista e topei fazer um disco de sambas. Então foi a vez da gravadora promover uma feijoada na casa do Sérgio Amaral para o pessoal dosamba. Compareceram: Martinho da Vila, Monarco, Padeirinho, João Bosco, Manacéa, Wilson Moreira, Ney Lopes. Uma turma de bambas.

Agora, estou novamente arregimentando um time de bambas para gravar meu novo disco.

Já cantei com gente do melhor gabarito. Só pelo Projeto Pixinguinha, fiz dois shows maravilhosos. Um, dividindo o palco com Johnny Alf, outro com Marina e Luiz Melodia. Quando Marina e eu cantávamos Mania de Você (Meu bem / vocême dá / água na boca), da Rita Lee, dávamos um selinho e o público vinha abaixo. Viajamos três meses pelas principais capitais do País. Em Salvador, lotamos o Teatro Castro Alves, tivemos que fazer sessão extra.

Zezé Motta com Sérgio Cabral

23.06.2013


Em Corpo a Corpo: o relacionamento inter-racial

Não foi só em Supermanoela e Transas e Caretas que eu namorei o galã. Em Corpo a Corpo, que foi uma novela revolucionária, o Gilberto Braga tocou em vários temas tabus, entre eles, o do relacionamento inter-racial. O casal formado pelo Marcos Paulo e por mim causou um rebuliço danado.

Os telespectadores que participavam dos grupos de discussão da novela achincalhavam. Vinham com as visões mais preconceituosas. Uma nordestina dizia que mudava de canal porque não podia acreditar que um gato como o Marcos Paulo pudesse ser apaixonado por uma mulher horrorosa. Outro achava que o Marcos Paulo devia estar precisando muito de dinheiro para se humilhar a esse ponto. Aí eu lembrava da Lélia Gonzales, que eu conheci num curso de cultura negra no Parque Lage, dizendo que não se pode sofrer com esses comentários e que é preciso manter a cabeça erguida. Porque ficar de vítima reclamando é muito fácil. Fácil, chato e contraproducente.

A Lélia foi uma pessoa muito importante na minha formação. Ela era antropóloga, professora universitária, e quando eu soube que ia ter esse curso, me matriculei. Na época da Xica, eu dava média de três entrevistas por dia, e as pessoas sempre perguntavam sobre ser atriz, mulher e negra. Senti que eu precisava aprimorar o meu discurso. Nisso, a Lélia me ajudou. Lembro que na aula inaugural ela disse: Não temos mais tempo para lamúrias. Temos que arregaçar as mangas e virar esse jogo.

Marcos Paulo e Zezé Motta - Corpo a Corpo

Marcos Paulo e Zezé Motta – Corpo a Corpo

23.06.2013