Zezé Motta para Revista RG

Isso quem dizia era o Domingos de Oliveira: “Zezé, mesmo quando eu te vejo vestida, tenho a sensação de que você está nua.” O Nelson Motta, que é meu compadre – sou madrinha da filha dele com a Marília, a Nina Morena – diz que os diretores não pediam para eu tirar a roupa, eu é que já ia tirando. Batia a claquete, eu baixava a alça do sutiã!…

A verdade é que eu sempre tive uma relação tranquila com a nudez, apesar de ter estudado em colégio interno, onde o corpo era tabu. As visitas de homens eram muito controladas. Só podíamos receber pai, irmão, tio. E a gente tomava banho de camisola, mesmo sendo um grupo só de meninas.

A primeira coisa que fiz quando saí de lá foi tirar a roupa. Calma, eu explico. É que o apartamento em que meus pais foram morar, no Leblon, era no último andar, e no verão aquilo virava um forno. Eu ficava costurando com a minha mãe, só de calcinha. Aí, quando o meu irmão estava para chegar, ela mandava eu me vestir. Eu dizia: “Ué, basta ele me olhar com olhos de irmão!” Nessa época, minha mãe era Testemunha de Jeová. Portanto, você pode imaginar, sempre tive uma vida muito controlada. Essa sensualidade deve ter acontecido de maneira bem natural.

Natural mesmo. Me lembro do lançamento do meu primeiro LP… uma alça do meu vestido caiu e eu fiquei com um dos seios de fora. E eu incorporei o erro, como recomendam as escolas de arte dramática. Fiz de conta que era para cair mesmo… Na capa do Zezé Motta, o LP, tem umas folhas que a censura mandou colocar, em cima dos meus seios. Dentro, tem uma foto minha praticamente nua. Essa passou.

E aconteceu algo muito curioso sobre esse episódio. Uma vez, mais tarde, me pediram para eu escolher uma cantora para se apresentar junto comigo no Projeto Pixinguinha. Eu escolhi a Clementina de Jesus. Quando foram consultá-la sobre o convite, ela disse: “A Zezé Motta não é aquela que canta com os peitos de fora?”. E a nossa apresentação não aconteceu… A Clementina disse que se o falecido dela fosse vivo não iria deixá-la cantar comigo (risos). Eu acabei fazendo o show com o Johnny Alf.

Aí veio “Xica da Silva”, um divisor de águas na minha vida, porque eu não era conhecida e o filme me tornou popular não só no Brasil, mas no mundo. Quando eu passei no teste para o filme, saiu numa revista: “Quem passou no teste para fazer ‘Xica da Silva’ é feia, porém exuberante.” E eu olhava para a foto de uma revista, chiquérrima, assinada pelo Antonio Guerreiro e me achava tão bonita… Mas aí, por conta da coisa sensual, eu e Sônia Braga, que, naquele ano estourou com o filme “Dona Flor e Seus Dois Maridos”, viramos símbolos sexuais.

No início da minha carreira, o fato de eu ser um símbolo sexual me incomodava, realmente. Achavam que meu reconhecimento artístico não podia se dar por aí. Mas eu não investia nisso, era uma circunstância natural eu estar sempre nua no cinema.

Olhando para trás, reconheço meu corpo a serviço da arte. Tem alguma inocência, um despudor de época, um pouco distante da carne deste tempo, exposta de um modo um tanto banalizado. Uma outra nudez. E, se me permite o Nelson, nem toda nudez será castigada.

Zezé Motta

 

Zezé Motta por Antônio Guerreiro para a Status

15.12.2013


Zezé Motta é aplaudida de pé no Theatro Municipal de Paulínia Paulo Gracindo

A última noite do V Paulínia Film Festival fechou o ciclo de homenagens a produtores, roteiristas, diretores, atores e atrizes vencedores de edições anteriores do festival. Flavio Tambellini, diretor premiado por Malu de Bicicleta (2010), subiu ao palco para agradecer e fazer um apelo. “O trabalho que foi feito aqui jamais poderia ter sido interrompido, porque esse é um projeto a longo prazo, de formação”, disse, ao desejar vida longa ao Polo.

Além de vencer o prêmio de melhor documentário por Uma Longa Viagem (2011), Lucia Murat filmou em Paulínia no mesmo ano o longa-metragem A Memória que me contam. ”Como eu fiquei aqui por um mês, me senti muito próxima da cidade.”

Zezé Motta

A retomada

“Isso aqui é nosso”, começou Rodrigo Diaz, vencedor do prêmio de melhor curta-metragem regional por Depois do Almoço (2010). “Em 2010, eu estava feliz porque queria fazer meu longa aqui, e penso que vai rolar por causa dessa retomada.”  Rafael Salazar, Albert Moreira, Janaina Walle, Alexandre Barros e Cauê Nunes também foram homenageados pelo documentário Às Margens do Xingu – Vozes não consideradas, de Damiá Puig, escolhido pelo público em 2011. Rafael lembrou que trabalhou em 12 longas-metragens no Polo e que a experiência o ajudou a entrar no mercado.

Zezé Motta e Ailton Graça

Zeze Motta e Ailton Graca Festival de Paulinia

Amir Admoni, que levou pra casa o prêmio de melhor curta nacional por Timing, em 2009, também compareceu à cerimônia.

Missão do Polo

O produtor Ofir Figueiredo e o ator Rodrigo Garcia subiram ao palco para apresentar o filme de encerramento, o pernambucano Tatuagem, sobre a relação entre o diretor de uma companhia de teatro e um jovem soldado do Exército no fim dos anos 70, durante a ditadura. “Espero que o filme leve reflexão, pensamentos e emoções a vocês”, disse Ofir. “Apesar das diferenças, espero que vocês enxerguem o filme sem preconceito, apenas com amor”, completou Rodrigo.

Monica Trigo, Secretária de Cultura, deu suas últimas palavras antes do final do festival. “Quero garantir que as políticas permanentes serão construídas nessa cidade, através do pacto federativo. É um projeto poderoso e consistente. Esse tapete vermelho enorme é para todo mundo caminhar nele, não só os artistas”, falou, recebendo fortes aplausos.

Ao final, Zezé Motta cantou à capela o clássico da MPB “Minha Missão”, de João Nogueira e Paulo César Pinheiro, e foi aplaudida de pé pela plateia que lotava o Theatro Municipal de Paulínia Paulo Gracindo.

Zezé e Monica Trigo, secretária de Cultura de Paulínia

Zezé Motta canta à capela

Zezé Motta e Ailton Graça no palco

Zezé Motta

Fotos de Aline Arruda

Postado por Equipe Zezé Motta

15.12.2013


Meus seios, e a Clementina de Jesus….

Me lembro do lançamento do meu primeiro LP… uma alça do meu vestido caiu e eu fiquei com um dos seios de fora. E eu incorporei o erro, como recomendam as escolas de arte dramática. Fiz de conta que era para cair mesmo… Na capa do Zezé Motta, o LP, tem umas folhas que a censura mandou colocar, em cima dos meus seios. Dentro, tem uma foto minha praticamente nua. Essa passou.

E aconteceu algo muito curioso sobre esse episódio. Uma vez, mais tarde, me pediram para eu escolher uma cantora para se apresentar junto comigo no Projeto Pixinguinha. Eu escolhi a Clementina de Jesus. Quando foram consultá-la sobre o convite, ela disse: “A Zezé Motta não é aquela que canta com os peitos de fora?”. E a nossa apresentação não aconteceu… A Clementina disse que se o falecido dela fosse vivo não iria deixá-la cantar comigo (risos). Eu acabei fazendo o show com o Johnny Alf.

zeze motta capa album1978

15.12.2013


#Cabelos #Negritude

Na minha adolescência, eu me achava muito feia porque minhas colegas me diziam que meu nariz era chato, meu cabelo era ruim e minha bunda era grande. Sofria com isso. Passei por um processo de tentativa de embranquecimento, comecei a alisar o cabelo e usava peruca chanel. Meu sonho era juntar dinheiro para fazer uma cirurgia no nariz e afiná-lo. Pensei em diminuir o bumbum para ser aceita. Só comecei a me aceitar em 1969, quando tinha 25 anos e viajei para os Estados Unidos. Via negros lindos na rua, com cabelos black power lindíssimos. Essa viagem foi muito importante para mim. Me enfiei embaixo do chuveiro e parei de alisar o cabelo. Não é nenhuma crítica a quem prefere cabelo liso, o ruim é a negação das características.”

Zezé Motta

16.09.2013


#80 | “Nós somos as cantoras do rádio!”

Programa de Televisão

16.09.2013


#Nudez | Retratos da minha vida…

Zezé Motta

Outro aspecto da minha vida que incomodava no início, era o fato de eu ser símbolo sexual. Eles achavam que meu reconhecimento artístico não podia se dar por aí. Mas eu não investia nisso, era uma circunstância natural eu estar sempre nua no cinema.

Isso quem dizia era o Domingos de Oliveira: Zezé, mesmo quando eu te vejo vestida, tenho a sensação de que você está nua. O Nelson Motta, que é meu compadre – sou madrinha da filha dele com a Marília, a Nina Morena – diz que os diretores não pediam para eu tirar a roupa, eu que já ia tirando. Batia a claquete, eu baixava a alça do sutiã!…

A verdade é que eu sempre tive uma relação tranqüila com a nudez, apesar de ter estudado em colégio interno onde o corpo era tabu. Tanto que a primeira coisa que fiz quando saí de lá foi
tirar a roupa. Calma, eu explico. É que o apartamento que meus pais foram morar, no Leblon, era no último andar e no verão aquilo virava um forno. Quer dizer, eu ficava costurando com a minha mãe só de calcinha. Aí, quando o meu irmão estava para chegar, ela mandava eu me vestir. Eu dizia: Ué, basta ele me olhar com olhos de irmão!

16.09.2013