Era uma vez… Zezé Motta

 Era uma vez…

Não, a história de Zezé não combina muito com era uma vez, embora tenha seu toque de fadas. A menina nascida em Campos, trazida pequena para o Rio de Janeiro arquetípico dos anos 40, trocou a abóbora pela carruagem no dia em que colocou o pezinho no palco e pensou: “Ai, que delícia!” (risos)

A rubrica (risos) poderia acompanhar todo o corpo do texto de sua biografia, ao final de cada parágrafo. Porque Zezé é assim: um parágrafo e um riso, um parágrafo e um riso. Em estilos diversos: graves, agudos, jocosos, meigos, cúmplices, revigorantes.

Os amigos de Zezé garantem que seu sorriso emite ondas de tranqüilidade. Quem faz a tal da zezeterapia, mantém-se adepto. Não à toa, Guto Graça Mello e Naila Scorpio compuseram a música Vitamina Z: Não duvide bula / agite antes de usar / eu fui feita pra você / sou sua vitamina Z. Canceriana mística, Zezé atribui sua força a Oxum. Prosear com ela é reencontrar Xica, Dandara, Lulu Kelly, Titina, Paula, Dorinha, Nossa Senhora, Condessa de Almaviva, Crioula, tantas e tantas personas que a nossa cantoratriz encarnou ao longo de uma carreira que ainda promete dar o que falar.

Agora mesmo está pré-indicada ao Nobel. De mil mulheres a quem o prêmio resolveu prestar homenagem, são do Brasil e Zezé está entre elas. Onde ela vai parar, ninguém sabe. Como diz a canção Pecado Original, de Caetano: A gente nunca sabe mesmo / o que é que quer uma mulher. Zezé afirma buscar personagens nas músicas que canta. É incrível a história acerca da interpretação de Postal de Amor, assim como um episódio do filme El Mestizo, rodado na Venezuela.

As histórias de Zezé impressionam, ora pela carga de normalidade ora pelo quê de inusitado. Pois Zezé é assim: uma diva espontânea, complexamente simples, iluminada pela própria natureza
e não por artifícios exteriores.

Vocês podem pensar que eu estou puxando brasa para a sardinha do livro, ou rasgando seda para a minha entrevistada, mas uma coisa é certa: o aplauso para Zezé nasce puro, como um refluxo da alma.

Rodrigo Murat (Biografia: Muito, Prazer Zezé – 2005)

Zezé Motta - Blog da Zezé

Zezé Motta – Crédito: Paula Klien