Vitórias de um movimento!

Sou muito preocupada com justiça. Eu sempre digo que mesmo que eu não fosse negra, faria parte do movimento. Um fruto prático desse meu envolvimento visceral foi a criação do Cidan (Centro de Informação e Documentação do Artista Negro), em1984. Eu estava preocupada com a invisibilidade do ator negro. Vários dos meus colegas não estavam na mídia e resolvi criar um banco de dados. Todo ator negro que eu encontrava ou que eu tinha o telefone, eu pedia: Traz foto e currículo. Eu estava casada com Jacques d´Adesky, um pesquisador afro-belga, professor universitário, com experiência nesse tipo de levantamento, e ele me orientou a profissionalizar o banco, que começou de maneira bem improvisada. Conseguimos um patrocínio com a Fundação Ford na intenção de editar um catálogo completo, começando com Grande Otelo e indo até atores negros mais jovens, mas o orçamento estourou e a gente não pôde ir até o fim. Era muita despesa com passagem, hospedagem, diária. Imagina, a intenção era fazer um mapeamento de todo o Brasil!

É uma vitória não só minha, mas do Jacques d´Adesky, do Antônio Pitanga, da Benedita da Silva, da Léa Garcia, do Antônio Pompeo, do Luiz Antônio Pilar, da Iléa Ferraz, entre outros profissionais envolvidos direta ou indiretamente com o Cidan.

Outra batalha minha é a Socinpro. É uma sociedade ligada ao Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), que protege direitos conexos autorais de compositores e intérpretes. Há mais de 10 anos eu sou uma das diretoras de comunicação. Uma vez por semana dou plantão. Vou lá, tomo cafezinho com associado, bato papo, faço de psicóloga. Porque nós temos desde medalhões da MPB – Maria Bethânia, Roberto Carlos, Dudu Nobre, Martinho da Vila – até aquele compositor mais duro que vai à sociedade pegar vale para tirar o violão do penhor. Tem situações dramáticas.

Zezé Motta e Fernando Henrique Cardoso

15.07.2013


Black is Beautiful

Em 1969, viajei aos Estados Unidos com o grupo do Augusto Boal para encenar Arena Conta Bolívar e Arena Conta Zumbi. Ficamos três meses na estrada. Fomos também ao México e ao Peru. Eu tinha comprado uma peruca lisa chanel e representava com ela. Quando nos apresentamos no Harlem, um grupo de militantes negros ficou chocado com o fato de eu usar peruca. Era o auge do black is beautiful, e a gente tinha que manter as características originais da raça. O Boal ainda me defendeu, disse que eu era engajada e tudo o mais.

Nesse dia, voltei para o hotel, tomei um banho demorado e deixei meu cabelo voltar ao natural. É que, além da peruca, eu fazia alisamento com pente quente. Ali eu comecei a me aceitar como negra. Saía nas ruas do Harlem e reparava que os negros americanos andavam de cabeça erguida. Não tinha essa postura subserviente que eu sentia no Brasil e em mim mesma. Essa viagem teve essa importância de fazer com que eu enxergasse meu país de fora.

No grupo de atores estavam o Lima Duarte, a Isabel Ribeiro, o Hélio Ary, o Renato Consorte, o Fernando Peixoto e eu. A gente se apresentava em espaços alternativos, universidades, centros acadêmicos. As críticas eram as melhores possíveis. O New York Times rasgou elogios à minha voz e à minha atuação. Aproveitei para visitar Carmem Costa em New Jersey e dei uma canja no seu show. Cheguei a receber proposta para ficar lá cantando, mas recusei. Preferi voltar ao Brasil. E cheguei pensando: Agora ninguém me segura!

Zezé Motta Arena Conta Bolívar e Arena Conta Zumbi

15.07.2013


A sensualidade de Xica da Silva

por Antônio Guerreiro para a Status (2)

 

Foto de Antônio Guerreiro para a Revista Status. Na época quando me chamavam de Xica na rua, eu pensava: Meu Deus! Quando vão me reconhecer como a Zezé Motta? Depois, comecei a pensar: Quer saber? Essa mulher mudou minha vida, foi minha fada madrinha. Por que estou reclamando?.

Quando fui apontada como símbolo sexual, confesso que me senti de alma lavada. Na época, saiu numa revista que a atriz que havia passado no teste era “feia, porém exuberante”. Eu me olhava na foto e me sentia tão linda, sabe? Mas, infelizmente, é assim que a banda toca…

A sensualidade da personagem me trouxe problemas. Eu acabei entrando no imaginário masculino como uma Mulher Maravilha. Eu me sentia com a responsabilidade de ser a melhor do mundo na cama. Olha que situação!

14.07.2013


Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foi usada pelo Zorro…

Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória quando foi
usada pelo Zorro… Z de “zaga”, algo que serve para o goleiro
não se sentir o único culpado; de “zebra”, quando você esperava
liso e veio listrado; e de “zíper”, fecho que precisa de um bom
motivo pra ser aberto; e de “zureta”, que é como fica a cabeça
da gente ao final de um dicionário inteiro. Z de Zezé…
(Pedro Bial)

 

Zezé Motta

02.07.2013


Postal de Amor…

“Postal de Amor”, interpretei esta letra do Fagner em Ciranda Cirandinha. Esta composição, ou melhor esta “Louca” me enlouqueceu verdadeiramente, e conseguiu me arrebatar no palco.

O Daniel Filho me convidou para fazer Ciranda depois que me assistiu no show. Eu sempre soube desde pequena que eu tive uma tia que enlouqueceu por amor, e quando subo ao palco eu procuro o personagem para interpretar. Nesta ocasião eu comecei a pensar em minha tia Elza que eu nunca conheci, mas que sempre soube que ela havia morrido por amor…

Era uma loucura… Um belo dia eu encontrei o Fagner e falei:
– Fagner, você sabe que eu dedico aquela musica para a minha tia Elza, que eu nunca conheci, mas que eu sei que morreu de amor… E ai, eu estava na casa dele na varanda de frente para o morro Santa Marta, (os fundos do apartamento dele tinha vista pra lá)…

Ele muito emocionado me disse:
– Zezé, não acredito, eu fiz esta musica aqui nesta varanda olhando para o morro e pensando em uma mulher morrendo de amor…

Que loucura! Postal de Amor…

Postal de Amor – Zezé Motta em Ciranda Cirandinha

Zezé Motta

01.07.2013


Forum Mulheres sem Fronteiras

Zezé Motta e Maria Helena Prill

Zezé Motta e Maria Helena Prill

O Fórum Mulheres Sem Fronteiras, que aconteceu no último dia 26, em Brasília, trouxe importantes debates sobre a questão das mulheres no Brasil e no mundo. A presidente do PMDB Mulher, deputada Fátima Pelaes, fez parte da mesa ao lado da responsável pelo evento a jornalista Maria Lúcia d’Ávila Pizzolante, da contra-almirante, Dalva Mendes, da presidente da bancada feminina na Câmara dos Deputados, Jô Moraes, da deputada federal, Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), e da vice-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Lourdes Bandeira.

A fala da deputada Fátima Pelaes marcou o início do evento. “Não podemos tratar os desiguais de forma igual. Em 2012 já tivemos um aumento de 80% de mulheres candidatas, hoje, o movimento de mulheres enfrenta o desafio de ter esse número de eleitas. Devemos ficar juntas para tornar a sociedade melhor e mais fortalecida”, ressaltou a deputada. A história política de Fátima Pelaes foi lembrada e elogiada pela jornalista Maria Lúcia d’Ávila Pizzolante, que fez questão de falar sobre a admiração e respeito que tem pela deputada.

A contra-almirante, Dalva Mendes, fez um declaração breve, mas comovente. “Nossas mulheres precisam perceber o quanto elas são capazes, que sonhos podem se transformar em realidade. Acredite em nós e conseguiremos chegar lá”, disse. Dalva Mendes é a primeira mulher oficial-general das Forças Armadas do Brasil ao assumir o posto de contra-almirante em 2012.

“O lema ‘Mulheres do Mundo Uni-voz’ desse Fórum significa que ultrapassamos as fronteiras que lutamos para ter autonomia. Berhta Lutz começou a luta pela participação feminina no Congresso Nacional. Claro que essa luta tem altos e baixos, mas temos avanços, como a Secretaria de Política para as Mulheres e a Lei Maria da Penha”, destacou a vice-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, Lourdes Bandeira.

Tive o prazer de ser a MC deste evento que  incluiu em sua programação uma série de palestras, como a da historiadora Maria Lídia Lyra e da socióloga Cristina Buarque. A presença de mulheres do PMDB, militantes e parlamentares, também foi marcante.

Para encerrar o evento, a cantora Ellen Oléria subiu ao palco com um repertório de músicas que faziam referência a história de luta dos negros, das mulheres e dos desfavorecidos. O estilista Álvaro O’Hara finalizou a solenidade com um desfile em que homenageou as deusas africanas.

01.07.2013