Zezé Motta é homenageada na 24º edição do Festival de Cinema de Vitória – Veja fotos:

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A homenagem à atriz Zezé Motta arrancou lágrimas e risos da plateia na noite de quinta-feira (14) no Teatro Carlos Gomes, durante o 24º Festival de Cinema de Vitória. Zezé emocionou o público cantando a música “Minha Missão”, de Paulo César Pinheiro, e arrancou gargalhadas do público ao receber o Troféu Vitória das mãos do pequeno Miguel Delbone Vieira, de apenas 5 anos.

A noite também foi marcada pela terceira sessão da 21ª Mostra Competitiva Nacional de Curtas e pela exibição do longa-metragem “Laura”, de Jonathan Murphy. A obra, rodada no Paraná, foi bastante elogiada pelos espectadores.

Em vez de discursar, Zezé preferiu cantar. A apresentadora da noite, Jéssica Freitas, não conseguiu conter as lágrimas enquanto Zezé entoava os versos “Canto para anunciar o dia/ Canto para amenizar a noite/ Canto pra denunciar o açoite/ Canto também contra a tirania”.

Ao anunciar a homenagem do festival, o ator Matheus Nachtergaele sentenciou: “Zezé está ao lado de ícones do cinema nacional do tamanho de um Mazzaropi, de um Grande Otelo, de um José Mojica marins. Poucas pessoas ocupam um espaço tão eterno na mente das pessoas quanto você, Zezé”.

Das mãos da produtora executiva do Festival, Larisa Delbone, Zezé também recebeu uma joia desenhada pela designer Carla Buaiz. “Uau!”, exclamou a atriz quando viu a peça. “Uma pérola negra!”, disse, exibindo o anel várias vezes e arrancando risos da plateia. “Vou sair daqui empoderada”, completou.

Ao fim da homenagem, Nachtergaele disse: “O Brasil é um país tão desgraçado, que precisamos de mais pessoas que nos deem dignidade. Zezé é uma dessas pessoas. Ela nos dá dignidade.”

Coletiva

A homenagem à atriz começou na tarde de quinta, com o lançamento do Caderno da Homenageada, organizado pelo jornalista Paulo Gois. A mediadora da tarde foi a produtora Thais Souto Amorim, que disse se inspirar em Zezé no seu próprio dia a dia. “Ela nunca teve vergonha de bater de frente com o racismo e se colocar”, disse.

Gois ressaltou que o caderno se ocupou também da militância da artista. “A história da Zezé está sempre sendo pontuada por questões políticas que demandam um posicionamento do artista, e ela nunca se furtou a isso”, elogiou.

Zezé começou sua fala lembrando constantes agressões psicológicas e físicas a artistas e esportistas negros. “Meu Deus do céu, estamos na luta há tanto tempo e essa coisa continua. Vocês terem se debruçado, pesquisado e resultar nesse caderno maravilhoso é um grande incentivo pra que a gente não desanime e continue lutando pelas coisas que a gente realmente acredita, contra o racismo, contra a desigualdade, contra a censura…”

A atriz diz que desde sempre faz muita coisa ao mesmo tempo, e que este está sendo um ano especial. Ela acabou de começar a gravar uma novela e ainda vai lançar um livro de memórias e um cd só de sambas de nome “O samba mandou me chamar”.

Sempre com um sorriso no rosto e disposta a responder os questionamentos da plateia, ela lembrou sua história desde que decidiu fazer teatro, passando pela sua decisão de se levantar contra o racismo, em 1969. A atriz teve influências do movimento negro americano para aceitar o próprio cabelo e o próprio corpo.

Ela estava apresentando em solo norte-americano as peças “Arena Conta Bolívar” e “Arena Canta Zumbi” quando foi chamada de alienada pelo movimento negro local. “Fiquei pensando… Sou uma pessoa pública, tenho que ser mais coerente. Lá em nova York, foi um batismo. Percebi que o que acontecia conosco no Brasil é que esses discursos pejorativos influenciam na nossa autoestima”, lembra.

Para ela, hoje o negro tem mais espaço como ator do que em seu começo. “Comparando com os anos 1960 mudou, mudou sim. Sou do tempo em que, numa novela ou num filme, a não ser que o assunto fosse escravidão, não havia espaço para dois atores negros. Quando eu estava em cena, não tinha espaço para a Neusa Borges, por exemplo”.

Uma realização da Galpão Produções e do Instituto Brasil de Cultura e Arte (IBCA), o 24º Festival de Cinema de Vitória conta com o patrocínio do Ministério da Cultura, através da Lei de Incentivo à Cultura, e da Petrobras, com o apoio institucional da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo, da Cesan, da Secretaria de Cultura da Universidade Federal do Espírito Santo, do Banestes e do Canal Brasil, e com o apoio da Rede Gazeta, da Prefeitura de Vitória, ArcelorMittal, da Academia Internacional de Cinema, da CiaRio, da Mistika e da Link Digital.