Zezé Motta será homenageada como enredo da Acadêmicos do Sossego, no carnaval 2017. Confira na coluna Ancelmo Gois, Jornal O Globo:

Coluna Ancelmo Gois - O Globo | Zezé Motta -  A Deusa de Ébano - Enredo Acadêmicos do Sossego - Carnaval 2017

Aos 71 anos, sendo 50 dedicados às artes, Zezé Motta será homenageada com o enredo “Zezé Motta – A Deusa de Ébano”, pela Acadêmicos do Sossego, primeira escola a desfilar na sexta-feira de folia, abrindo os desfiles da Série “A”, no Rio, na Marquês de Sapucaí. Com o enredo, a escola de Niterói pretende se referir às mulheres negras que chamam a atenção por sua beleza e exuberância, como Zezé, ícone negro da cultura brasileira, e claro, eterna Xica da Silva, Dandara, entre tantos outros papeis na TV e no cinema que a imortalizaram.

Confira o texto de apresentação do enredo:

 Acadêmicos do Sossego – 2017:  Zezé Motta- A Deusa de Ébano

Tocada por Dionísio, o deus grego das festas, do teatro e dos ritos religiosos, a menina de Campos, lançou-se nos palcos da vida. Fez as malas, acreditou no sonho e seguiu para o Rio de Janeiro. Nascia a Zezé Motta, a Zezé das artes, a Zezé cidadã do mundo. Em 1967, Zezé Motta começou a carreira no teatro, quando estreou a peça Roda-viva, de Chico Buarque e não parou mais. Em 1969, atuou em “Fígaro, Fígaro”, “Arena canta Zumbi” e “A vida escrachada de Joana Martini e Baby Stompanato“Orfeu negro” e “Godspell”

Para muito além dos palcos, Zezé foi brilhar na tela grande da sétima arte. Participou dos filmes: “Vai trabalhar, vagabundo”, “Ouro Sangrento”, “Anjos da Noite”, “Tieta do Agreste” e “Orfeu”, mas foi Xica da Silva”, em 1976 que a consagrou internacionalmente.

Na tela da televisão chegou ao auge de seu talento, carisma e popularidade. É a uma das atrizes negras que mais atuou em telenovelas no Brasil. Cantou, dançou e atuou enaltecendo a sua luta por igualdade independe da cor de sua pele. Da tela para a vida real, “muito prazer, eu sou Zezé, mas pode você pode me chamar como quiser”

A canção “Magrelinha” de Luis Melodia e outras tantas do menestrel Chico Buarque passearam pela voz marcante de Zezé Motta.

“Quando eu penso nela em forma de canção. Imagino em som que revele. Que revele o tom, o tom da cor da sua pele. Crioula”

Cantriz. É a Zezé, mulher, mãe, avó, cantora, dançarina, atriz e que é acima de tudo feliz!  Entre tantas mulheres, Deus quis que Zezé brilhasse. Colocou uma estrela em sua testa e fez dela um ser iluminado que encanta a todos com a força de seu sorriso, com sua alegria, seu talento e seu amor pela arte.

A Acadêmicos do Sossego entra no palco sagrado do carnaval. Vem com as bênçãos dos deuses sagrados do teatro, da música, do cinema, da TV e da negritude para prestar homenagem a esta grande estrela das artes, trazendo os sinceros aplausos no seu manto azul e branco. Com a força do seu canto e da sua comunidade vem dizendo: Bravo, Zezé Motta!

MARCIO PULUKER (carnavalesco)