A negritude de Josephine Baker

Josephine Baker

Josephine Baker nasceu em 1906, nos EUA. A mãe, uma lavadeira que havia sonhado em se tornar bailarina; o pai era músico. Ele abandonou a família assim que Josephine nasceu. Desde os 8 anos, Josephine trabalhou como babá e limpava mansões de brancos ricos, para ajudar no sustento da família. Era sempre mal tratada pelos patrões. Aos 13 anos, fugiu de casa. Encontrou trabalho de garçonete numa casa noturna. Aos 15 anos, se casou com William Baker, de quem manteve o sobrenome,mesmo depois do divórcio.Sua estreia aconteceu no teatro de Champs-Elysées, Paris, em 1925, onde fez uma dança selvagem, se contorcionando, cantando com voz de passarinho tropical e usando apenas uma tanga de penas. Ninguém tinha visto coisa igual (nota do editor: no filme ‘Meia-noite Em Paris’, de Woody Allen, tem uma cena rápida que reproduz a dança). Em Berlim, Josephine Baker teve o seu primeiro contato com o racismo na Europa. Os nazistas começavam a ganhar terreno. Com vaias, os simpatizantes do nazismo impediam suas apresentações. Em alguns jornais, ela era difamada como “macaca”. Como penitência “pelos graves delitos contra a moral, cometidos por Josephine Baker”, a cidade de Viena mandou celebrar missas especiais durante as suas apresentações. Josephine buscou refúgio nos Estados Unidos, porém, em Nova Iorque, foi expulsa de um restaurante “só para brancos”. Decepcionada, ela retornou a Paris. Esteve no Brasil pela primeira vez em 1929. Apresentou-se no Teatro Cassino, no Rio de Janeiro. Voltou em 1952 e contracenou com Grande Otelo no show “Casamento de Preto”, onde cantava “Boneca de Piche” em português.